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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Hoje é Dia das Aparições de Nossa Senhora de Lourdes


Neste mesmo dia, há 152 anos atrás (1858) iniciava-se o ciclo das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, na França.

(por Paulo Corrêa de Brito Filho, em Catolicismo)

De 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858, Nossa Senhora apareceu nada menos que 18 vezes à inocente Bernadette Soubirous, para abrir uma fonte de graças espirituais e de milagres contínuos, que se sucedem ininterruptamente desde então.

Milagres que vêm sendo cientificamente comprovados por especialistas, de modo a fazer da fonte de Lourdes uma prova concreta e palpável da veracidade dos dogmas católicos.

Agindo assim, Ela quis mostrar que, quando deseja algo, nenhuma barreira há que se lhe oponha. Tanto é que escolheu por confidente uma jovem extremamente pobre, e que nem sequer falava francês, mas só o dialeto da região.

À qual, entretanto, concedeu sabedoria e fortaleza para enfrentar vitoriosamente as inquirições e pressões a que foi submetida pelas autoridades eclesiásticas e civis.

Com sabedoria celeste, Nossa Senhora foi ao longo das aparições se revelando num crescendo, até o momento ápice em que disse: “Eu sou a Imaculada Conceição!”.

Como Rainha, Ela veio chancelar o dogma com o qual, em 1854, o grande e imortal Pontífice Pio IX encheu de gáudio os corações católicos.

E, ao mesmo tempo, desferiu rude golpe nos adversários da Igreja, que ostentavam os falsos dogmas — oriundos do Iluminismo e da Revolução Francesa — da “conceição imaculada” das massas e da “infalibilidade” do sufrágio universal.

Lourdes constituiu-se num manancial constante de graças, a se derramarem com a mesma abundância com que de sua gruta jorram as milagrosas águas.

É também uma afirmação vitoriosa do caráter militante da Igreja Católica em sua luta contra a Revolução satânica, gnóstica e igualitária, compêndio e ápice de todas as heresias, que visa extinguir por completo da face da Terra todo e qualquer reflexo de Deus.

Quem vencerá?

Aquela que ao longo da História esmagou sozinha todas as heresias — “Gaude Maria Virgo, cunctas haeresis sola interemisti in universo mundo” (Alegrai-vos, Virgem Maria, pois sozinha esmagastes todas as heresias no mundo inteiro) — e que em Lourdes proclamou: “Eu sou a Imaculada Conceição!”.

(Texto integral em Catolicismo)
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Veja também a matéria: Em 2008: 150 anos das aparições de Lourdes
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Devoção medieval a Nossa Senhora

“A devoção à Virgem predispõe os medievais ainda um tanto rudes à delicadeza, à piedade, à proteção dos fracos, ao respeito das mulheres.

“ Traz em si uma virtude de civilização e de cortesia.

“Os testemunhos disso são infinitos e encantadores.

“Imagine-se que no século XII um monge de Saint-Médard, Gautier de Coinci, relatou em trinta mil versos os milagres de Nossa Senhora. E que milagres primorosos, dignos da Légende Dorée!

“Lá, um monge ignorante que sabe recitar apenas duas palavras ─ AVE MARIA ─, e que por sua ignorância é desprezado.
“Ele morre, e de sua boca saem cinco rosas em honra às cinco letras do nome MARIA.

“Uma freira, tendo abandonado o convento para se entregar ao pecado, volta após longos anos e encontra a Virgem ─ a quem ela nunca cessara, até nos piores pecados, de dirigir cada dia uma oração ─ ocupando durante todo esse tempo o seu lugar no ofício, de forma que ninguém percebeu sua ausência.

“Um cavaleiro, em troca da fortuna, prometera ao demônio entregar-lhe sua mulher. Enquanto ele a conduzia, ela entrou por um momento numa capela da Virgem, e é então a Virgem que saiu da capela em seu lugar e puniu o demônio.

“Um outro cavaleiro, indo ao torneio, esqueceu-se do tempo e ficou rezando a Nossa Senhora numa Igreja.

“Nossa Senhora, enquanto isso, combatia em seu lugar sob sua armadura, e ganhava para ele o prêmio do torneio.

“Vale lembrar o famoso jogral de Nossa Senhora, de quem Ela enxugava o suor: o conto e o teatro se apoderaram desta história.

“Essa devoção à Virgem contribuiu sem dúvida para a formação do senso de honra, purificando e enobrecendo a rudeza desses cavaleiros, desses soldados, dessa gente de guerra ou do campo. Foram levados a tratar a mulher com mais respeito.

“A honra que daí decorre é uma espécie de galanteria da alma, que nos leva à defesa dos fracos, ao esquecimento de nossos interesses, à generosidade, ao respeito à palavra dada, quaisquer que sejam as conseqüências.”

(Henry Bordeaux, “Vie, mort et survie de Saint Louis, roi de France” – Librairie Plon, Paris, pp. 34-35)


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

1º de Janeiro :: Festa de Santa Maria Mãe de Deus


Antigamente, nesta data se celebrava a Circuncisão do Menino Jesus.

Atualmente, no primeiro dia do ano, na oitava de Natal, a Santa Igreja comemora a festa litúrgica de Maria Santíssima enquanto Mãe de Deus, para reafirmar a legitimidade desse supremo título.

No século IV, o herege Nestório atreveu-se a dizer que Maria não era Mãe de Deus (Theotokos), mas apenas Cristotokos (mãe de Cristo, pessoa humana).

Devido a essa injúria, católicos do mundo inteiro protestaram e pediram uma reparação. Bispos de diversos países reuniram-se em concílio na cidade de Éfeso no ano 341, condenando as idéias do ímpio Nestório.

Declararam solenemente este ponto central do mistério da Encarnação: “A Virgem Maria é Mãe de Deus, porque seu Filho, Cristo, é Deus”.

Acompanhados por toda a multidão da cidade, que os rodeava levando tochas acesas, fizeram uma grande procissão cantando:

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém” — jaculatória acrescentada pela Igreja na oração “Ave Maria”.

A Santíssima Virgem representa a quintessência inefável, a síntese amplíssima de todas as mães que existiram, que existem e que existirão; de todas as virtudes maternas que a inteligência e o coração humano podem conhecer.

Ainda mais: daqueles graus de virtude que apenas os santos sabem encontrar, os quais somente eles sabem alcançar, voando com as asas da graça e do heroísmo. É a mãe de todos os filhos e de todas as mães.

É a mãe de todos os homens. É a mãe do Homem. Sim, do Homem-Deus que se fez Homem no seio virginal dessa Mãe, para resgatar todos os homens.

É uma Mãe que se define com uma palavra: mar. Que, por sua vez, dá origem a um nome que é um céu: Maria.


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Conselho à alma angustiada

Conselho à alma angustiada

Trecho da obra "O Livro da Confiança", do conhecido autor francês, Padre Thomas de Saint Laurent.

Suas palavras são de molde a auxiliar-nos possantemente a transpor com espírito de fé, paz de alma e, sobretudo, confiança, os novos dias de 2008.

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“Voz de Cristo, voz misteriosa da graça que ressoais no silêncio dos corações, vós murmurais no fundo das nossas consciências palavras de doçura e de paz.

"Às nossas misérias presentes repetis o conselho que o Mestre dava, freqüentemente, durante a sua vida mortal: ‘Confiança, confiança!

“À alma culpada, oprimida sob o peso de suas faltas, Jesus dizia: ‘Confiança, filha, teus pecados te serão perdoados!’.

"‘Confiança’, dizia ainda à doente abandonada que só d'Ele esperava a cura, ‘tua fé te salvou’.

"Quando os Apóstolos tremiam de pavor vendo-O caminhar, de noite, sobre o lago de Genesaré, Ele os tranqüilizava por esta expressão pacificadora: ‘Tende confiança! Sou Eu, nada temais!’

"E na noite da Ceia, conhecendo os frutos infinitos do seu Sacrifício, lançava Ele, ao partir para a morte, o brado de triunfo: ‘Confiança! Confiança! Eu venci o mundo!’

“Esta palavra divina, ao cair de seus lábios adoráveis, vibrante de ternura e de piedade, operava nas almas uma transformação maravilhosa.

"Um orvalho sobrenatural lhes fecundava a aridez, clarões de esperança lhes dissipavam as trevas, uma calma serenidade delas afugentava a angústia.

"Pois as palavras do Senhor são ‘espírito e vida’. ‘Bem-aventurados os que as ouvem e as põem em prática’.

“Como outrora aos seus discípulos, é a nós, agora, que Nosso Senhor convida à confiança. Por que recusaríamos atender à sua voz?”

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Quadro de Nossa Senhora da Confiança, que se venera no Seminário Romano. A propósito dele, a Mãe de Deus fez a seguinte promessa à Irmã Clara Isabel Fornari (1697-1744):

Todas as almas que, com confiança, se apresentarem diante desta imagem, obterão verdadeiro conhecimento, dor e arrependimento dos seus pecados, e a Santíssima Virgem lhes conceder-lhes-á particular devoção e ternura para com Ela”
(La Madonna della Fiducia, P. Roberto Mais, Roma. Editrice Sallustiana, 1948).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Festa da Imaculada Conceição :: 8 de dezembro

Em 1854, atendendo aos anseios mais profundos de toda a Igreja, o Papa Pio IX proclamou como dogma de fé a Imaculada Conceição de Maria.

Quase desde o seu nascimento, o Brasil vive sob o manto e o patrocínio de Maria Imaculada.

Nossa Pátria, filha e de certa forma obra-prima de Portugal, desde 1646 estava consagrada à Imaculada Conceição, pois naquele ano o Rei D. João IV, reunido com as Cortes gerais do Reino, consagrou Portugal e todos os seus domínios a Nossa Senhora da Conceição.

À mesma Padroeira Imaculada - sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida -o Brasil se quis devotar desde seus primórdios de nação plenamente emancipada.

Em 1904, a Imagem da Aparecida foi solenemente coroada, por mandado do Papa São Pio X, com uma coroa de ouro cravejada de 40 brilhantes que lhe fora oferecida pela Princesa Isabel.

E em 1930, atendendo a uma solicitação do Episcopado Brasileiro, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira Principal do Brasil.

Fonte: "Cada dia tem seu Santo", de A. de França Andrade - Artpress

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nossa Senhora de Guadalupe e São Juan Diego: diálogo de rainha com cortesão

Nossa Senhora de Guadalupe apareceu em 9 de Dezembro de 1531 ao príncipe São Juan Diego (1474-1548) no morro Tepeyac, onde se ergue hoje a “Capilla del Cerrito”. A Virgem falou na língua dele, o náhuatl. O nobre indígena tinha então 57 anos e já estava batizado.

Após as aparições foi construída ao pé do morro a primeira capela consagrada a Nossa Senhora. No mesmo dia que a milagrosa imagem foi nela instalada, o santo foi viver com licença do bispo num quartinho ou ermida, colado na capela.

Ele cuidava da capela e ensinava ao povo o conteúdo e significado das aparições. Ele ficava longos momentos rezando diante da Santa Imagem.

Tinha licença do bispo para comungar três vezes por semana. Naquela época semelhante autorização era excepcional e só concedida a pessoas de avançada virtude.

O nobre São Juan Diego destacava-se pelo jejum e mortificação, e recebia os peregrinos com grade amabilidade. Ele usava o hábito dos terceiros franciscanos

O povo tinha-o em fama de santidade. Índios e espanhóis iam lhe pedir milagres. Ainda hoje, alguns pais de família na hora de dar a benção a seus filhos dizem: “que Deus te faça como Juan Diego”.

Faleceu em 3 de Junho de 1548, com 74 anos de idade e foi sepultado naquela primeira ermida. No século XX durante as perseguições anti-católicas, após um atentado, os “cristeros” mudaram seus restos para evitar profanações.

Nossa Senhora tratou São Juan Diego como a um filho de uma estirpe nobiliárquica que está desaparecendo, mas tem uma alma pura e simples.

Ela o tratou com um carinho extraordinário, quase como a uma criança. O relato da conversa tem um sabor extraordinário. Nela vê-se a predileção que Nossa Senhora tem pelas almas grandes, heróicas, que marcam as vidas dos povos e das civilizações. Mas também, como Ela ama as almas simples, pequenas, inteiramente voltadas para Ela e que ignoram a sua própria virtude.

O príncipe indígena sem ter recebido educação nenhuma no sentido ocidental e cristão, falou para Nossa Senhora como um verdadeiro cortesão. E Nossa Senhora de Guadalupe soube encontrar para ele fórmulas que têm fidalguia, delicadeza e diplomacia.

Eis o diálogo entre Nossa Senhora de Guadalupe e o vidente São Juan Diego, transcrito por Edésia Aducci no livro “Maria e Seus títulos gloriosos”:

Na primeira aparição, Nossa Senhora, falando no idioma indígena, dirige-se a Juan Diego: “Meu filho, a quem amo ternamente, como a um filho pequenino e delicado, aonde vais?”

‒ “Vou, nobre Senhora minha, à cidade, ao bairro de Tlaltelolco, ouvir a santa missa que nos celebra o ministro de Deus e súdito seu”.


‒ “Fica sabendo, filho muito querido, que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, e é meu desejo que me erijam um templo neste lugar, de onde, como Mãe piedosa tua e de teus semelhantes, mostrarei minha clemência amorosa e a compaixão que tenho dos naturais e daqueles que me amam e procuram; ouvirei seus rogos e súplicas, para dar-lhes consolo e alívio; e, para que se realize a minha vontade, hás de ir à cidade do México, dirigindo-te ao palácio do bispo que ali reside, ao qual dirás que eu te envio e que é vontade minha que me edifique um templo neste lugar; referirás quanto viste e ouviste; eu te agradecerei o que por mim fizeres a este respeito, te darei prestígio e te exaltarei”.

‒ “Já vou, nobilíssima Senhora minha, executar as tuas ordens, como humilde servo teu”.

Segunda aparição: Juan Diego volta do palácio do bispo, no mesmo dia, à tarde. A Santíssima Virgem o esperava.

‒ “Minha muito querida Rainha e altíssima Senhora, fiz o que me mandaste, e, ainda que não pudesse entrar a falar com o senhor bispo senão depois de muito tempo, comuniquei-lhe a tua mensagem, conforme me ordenaste; ouviu-me afavelmente e com atenção; mas, pelo seu modo e pelas perguntas que me fez, entendi que não me havia dado crédito; portanto, te peço que encarregues disso uma pessoa nobre e de importância, digna de respeito, e em quem se possa acreditar; perdoa, minha Rainha, o meu atrevimento, se me afastei do respeito devido à tua grandeza; que eu não tenha merecido tua indignação, nem te haja desagradado minha resposta”.

“A Santíssima Virgem insiste com Juan Diego. Este volta ao bispo e este exige um sinal da aparição. Volta o índio e Nossa Senhora manda que volte no dia seguinte, ao mesmo local, que Ela satisfaria o desejo do bispo; mas Juan Diego, precisando chamar o sacerdote para seu tio, que adoecera gravemente, e desvia-se do caminho combinado, certo que a Santíssima Virgem não o veria.

Mas eis que Nossa Senhora aparece-lhe noutro local. “Aonde vais, meu filho, e por que tomaste este caminho?”

Juan Diego: “Minha muito amada Senhora, Deus te guarde! Como amanheceste? Estás com saúde?... Não te agastes com o que te vou dizer: está enfermo um servo teu, meu tio, e eu vou depressa à igreja de Tlaltelolco, para trazer um sacerdote para confessá-lo e ungi-lo, e, depois de feita esta diligência, voltarei a este lugar, para obedecer à tua ordem. Perdoa-me, peço-te Senhora minha, e tem um pouco de paciência, que amanhã voltarei sem falta”.

“Nossa Senhora ordenou-lhe colher flores para o bispo. Embora fosse um local ermo e pedregoso, num dia de inverno, S Juan Diego subiu fielmente ao morro e ali achou roseiras em plena formação. Ele as colheu na sua “tilma” ou “ayate” (espécie de poncho de fibra vegetal) e as levou para o bispo.

“Quando abriu a “tilma” as rosas caíram, e o bispo Zumárraga e todos os presentes ficaram atônitos. Do pasmo passaram para a emoção vendo que na humilde “tilma” estava impressa uma imagem da Santíssima Virgem, mestiça e de indescritível beleza. Então todos caíram de joelhos...”


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Hino “Ave Maris Stella” implora a Nossa Senhora nos levar a bom porto

O hino “Salve Estrela do Mar”, mais conhecido pelo seu nome em latim “Ave Maris Stella” tem uma origem difícil de precisar, como muitas orações medievais muito antigas.

A piedade medieval era extremadamente rica e fértil sendo que muitos contributos iam enriquecendo constantemente as fórmulas de piedade.

Isso se deu também com este hino. O “Ave Maris Stella” foi muitíssimo popular na Idade Média e foi objeto de muitas composições e variantes que foram se fecundando reciprocamente.

As primeiras notícias dele remontam ao século VIII. O criador da letra teria sido São Venâncio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a quem atribui-se também o “Pange Lingua Gloriosi Proelium Certaminis” (“Canta, minha língua, o glorioso combate”) que serviu de inspiração para o hino eucarístico “Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium” (“Canta, minha língua, o glorioso mistério da Hóstia”) de São Tomás de Aquino.

Reconhece-se a São Venâncio Fortunato a autoria do igualmente famoso “Vexilla Regis prodeunt” (“Os estandartes do rei avançam”).

São Venâncio Fortunato apresenta seus hinos à rainha Radegunda da França (foto)

A melodia do “Ave Maris Stella”, provém do cântico irlandês “Gabhaim Molta Bríde” composto em honra de Santa Brígida.

O “Salve Estrela do Mar” tem relevante importância na preparação da consagração à Santíssima Virgem como escravo de amor, segundo o inspirado método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

A liturgia católica saúda com o poético “Ave Maris Stella” a Nossa Senhora como “Estrela do Mar”. Porque Nossa Senhora é a Estrela do Mar, quer dizer, a Estrela Polar, que é a mais brilhante, alta, e suprema das estrelas que guia os navegantes em meio à escuridão.

No “Ave Maris Stella” o fiel reza “mostrai que Vós sois Mãe”. Conta-se que na Idade Média um homem rezando aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, quando chegou a estas palavras, a imagem se animou e respondeu a ele: “mostra que és filho”!

Na hora de nós nos dirigirmos a Nossa Senhora pedindo para Ela mostrar que é Mãe, pensemos que Ela tem o direito de nos dizer: “Meu filho, mostra que és filho!”

Nossa Senhora dos Bons Ares, Buenos Aires (foto)

Não há nada melhor que pedir as luzes do Espírito Santo para que a Estrela do Mar nos ilumine no meio do mar agitado e da escuridão hodierna. Só assim nossa nau atingirá o verdadeiro porto, quer dizer, a via de Nossa Senhora e a graça dEla.

Ave, maris stella,
Ave estrela do mar,
Dei Mater alma,
Mãe de Deus sagrada,
Atque semper Virgo,
Quem sempre Virgem sois,
Felix cæli porta.
Porta feliz do Céu.

Sumens illud Ave
Tomando aquela Ave
Gabriélis ore,
Por voz de Gabriel,
Funda nos in pace,
Firmai-nos bem na paz,
Mutans Hevæ nomen.
Mudado o nome Eva.

Solve vincla reis,
Aos réos soltai prisões,
Profer lumen cæcis,
Aos cegos vista dai
Mala nostra pelle,
Nossos males tirai
Bona cuncta posce.
Todos os bens pedi.

Monstra te esse matrem,
Mostrai que Vós sois Mãe,
Sumat per te preces
Por Vós ouça os rogos,
Qui pro nobis natus
Quem por causa de nós,
Tulit esse tuus.
Quis vosso Filho ser.

Santa Maria del Mar, Barcelona (foto)

Virgo singuláris,
Ó Virgem singular,
Inter omnes mitis,
Mais que todos branda,
Nos culpis solútos
Livres nós da culpa,
Mites fac et castos.
Brandos, castos fazei.

Vitam præsta puram,
Dai-nos vida pura,
Iter para tutum,
Os passos dirigi,
Ut vidéntes Jesum
Porque vendo a Jesus,
Semper collætémur.
Vivamos com prazer.

Sit laus Deo Patri,
Louve-se Deus Padre,
Summo Christo decus,
Honre-se o seu Filho,
Spirítui Sancto,
E seu divino Amor,
Tribus honor unus.
Aos três um só louvor.
Amen.


Clique aqui para ouvir o hino Ave Maris Stella:




Outra versão:




Fonte: Blog Orações e milagres medievais

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Surpreendentes descobertas na imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela

Foram feitos surpreendentes achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, por ocasião de trabalhos de restauro, informou a agência Zenit.
As descobertas lembram as já feitas na imagem miraculosa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira das Américas.

Nossa Senhora de Coromoto, imagem antes do restauro (foto)

As informações foram dadas a público em roda de imprensa na sede da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), em 3 de setembro.

A imagem de Nossa Senhora de Coromoto está ligada aos primórdios da evangelização do país. Os fatos associados à sua origem falam também diretamente a cada país latino-americano.



A tradição religiosa

Pelo fim de 1651 e inícios de 1652, uma Bela Senhora apareceu ao cacique da tribo Coromoto e à sua mulher. A Senhora envolta em luz disse na língua deles: “Ide à casa dos brancos, para que eles joguem água em vossas cabeças e assim possam ir para o Céu”.

A tribo obedeceu: abandonou a selva, recebeu a catequese, e um grande número de índios pediu o sacramento do Batismo se tornando católicos.

Entretanto, as tendências desregradas do cacique puxavam-no para voltar à vida selvagem. Os instintos desordenados levavam-no a achar que perdera a liberdade.

Concebeu, então, a idéia de fugir para a selva e afundar de novo nos vícios do paganismo. Quando estava para cometer esse projeto desvairado, na alvorada do 8 de setembro de 1652, a Bela Senhora voltou a aparecer para ele e sua mulher, além da cunhada Isabel e um filho dela.

O cacique, cegado pela ilusão da barbárie, pediu-lhe que o deixasse em paz. Disse-lhe que não iria mais obedecê-la. Nossa Senhora, então, entrou na choça sorrindo para os índios.

O cacique furioso pegou arco e flechas para matar a Nossa Senhora. Mas, Ela foi se aproximando e a armas caíram das mãos do selvagem.

O cacique não desistiu. Pegou a luminosa Senhora pelo braço para puxá-la fora da choça. Nessa hora, deu-se o milagre. A brilhante Senhora desapareceu deixando na mão do chefe da tribo sua diminuta imagem.

O cacique Coromoto ficou com o punho fechado, dizendo que a tinha pegado. Enorme foi seu espanto quando, por fim, abrindo a mão, encontrou uma imagenzinha de Nossa Senhora coroada segurando o Menino Jesus, tal como tinha aparecido.

Naquele instante começou uma grande história de favores e milagres, de devoção e expansão da fé na Venezuela. Em 1942 a Virgem de Coromoto foi proclamada Padroeira do país. Sua festa se comemora na mesma data da última aparição ao cacique: o 8 de setembro que é também dia da Natividade de Nossa Senhora.

A análise científica

A imagem é mínima: mede só 2,5 cm de altura por 2 cm de largura. Após 357 anos da aparição nunca foi objeto de nenhum análise nem restauração. Ela estava submetida a todos os fatores de deterioração e ação do tempo e o descuido ameaçavam-na.

A fundação venezuelana Maria Caminho a Jesus, com sede em Maracaíbo, promoveu a partir de 2002 uma campanha para restaurar a sagrada imagem.

O reitor do Santuário de Coromoto, monsenhor José Manuel Brito, aprovou o projeto e a equipe de especialistas que trabalhou no restauro.

Um laboratório foi montado especialmente perto do Santuário. Os restauradores Pablo Enrique González e Nancy Jiménez estiveram à testa de uma equipe de trabalho composta por 14 especialistas. A supervisão foi de José Luis Matheus, diretor da Fundação Zuliana e monsenhor José Manuel Brito. Eles trabalharam de 9 a 15 de março de 2009.

Previa-se que o restauro duraria meses, pois a imagem estava colada na lupa instalada diante dela para vê-la melhor. Porém tudo correu mais rápido do imaginado e bem.


Ao longo do processo foram descobertos elementos desconhecidos. A água empregada no tratamento saia sem bactérias e com um pH neutro, fato inexplicável para os cientistas.

A imagem, segundo Matheus, se mantém consistente, nítida e exibe suaves relevos. “A tinta se encontra por cima do algodão prensado e de textura rugosa” O trono da Virgem aparece claramente montado dentro de uma construção de taipa típica dos índios.

Foram detectados ainda outros símbolos que, segundo o antropólogo Nemesio Montiel, tem origem indígena como a própria coroa da Sagrada Imagem.


No microscópio foi possível identificar os olhos da Virgem. Eles medem aproximadamente 0,2 milímetros, porém pode se distinguir o desenho do iris. O fato desconcertou os especialistas, pois achavam que os olhos eram simples pontos.


Ainda mais, estudando o olho esquerdo através do microscópio puderam discernir um olho com características humanas. Nele os especialistas diferenciaram com clareza a órbita ocular, o conduto lacrimal, o iris e um pequeno ponto de luz nele.

Mas, a surpresa estava começando. Maximizando o ponto de luz os especialistas julgaram detectar uma figura humana que se assemelha muito à de um indígena.

A imagem está feita de uma espécie de compensado de algodão, material que humanamente não se entende que se mantenha intato após mais de três séculos e meio de exposição.

Até neste aspecto sem explicação a imagem de Nossa Senhora de Coromoto se assemelha à de Nossa Senhora de Guadalupe.

Veja programa de TV venezuelana sobre a história e os achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto:




Fonte: Blog Ciência Confirma Igreja

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nossa Senhora Aparecida: luz de todas nossas esperanças

Na atual encruzilhada que o País atravessa, mais do que nunca necessitamos da proteção de nossa Augusta Rainha e Padroeira, cuja festa foi comemorada no dia 12 deste mês.

Em 31 de maio de 1931, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil. No ano anterior, no dia 16 de julho, Ela já havia recebido do Papa Pio XI esses gloriosos títulos.

A solene proclamação ocorreu na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro (então capital do País), depois de esplendorosa procissão com a milagrosa Imagem da Virgem Mãe Aparecida, com a participação de todos os bispos brasileiros, do Chefe de Estado, ministros, autoridades civis e militares, além de mais de um milhão de fiéis.

Para recordar tão grata e triunfal comemoração, transcrevemos abaixo trecho extraído de um cartão de Natal redigido por Plinio Corrêa de Oliveira, em dezembro de 1991.

* * *

“É com os olhos postos em Nossa Senhora Aparecida que transpomos os umbrais desse ano sem nos deixarmos flectir pelas ameaças que o futuro parece trazer consigo, e ao mesmo tempo sem nos deixarmos seduzir pelas perspectivas não raramente ilusórias, que ainda se apresentam por vezes ao homem contemporâneo.

O Brasil terá um esplêndido porvir, se ele seguir o caminho de Nossa Senhora. E é esse provir, carregado de bênçãos, de virtude e de grandeza cristã, que imploro a Nossa Senhora Aparecida para nossa pátria”.

Catolicismo- outubro de 2006


Fonte: Blog Luzes de Esperança

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Há mais de um século, Nossa Senhora Aparecida coroada Rainha do Brasil - Parte III

Parte I
Parte II

Atentado em Aparecida

Legenda - Durante a procissão no Rio de Janeiro, a imagem milagrosa é ladeada pelo Núncio Apostólico, D. Bento Aloisi Masella, e pelo Arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva

O autor menciona a lei do divórcio, aprovada no Brasil em 1977, como um dos motivos do entristecimento de nossa excelsa Rainha, devido aos pecados de seu povo. Mas tal aprovação deu-se há 27 anos.

O que diria ele, se esse artigo fosse redigido nos presentes dias? Muito mais do que naquela época, o Brasil de hoje dá motivos para entristecer sua Rainha e Mãe. Para ficarmos apenas no âmbito da instituição familiar, consideremos o atual desfazimento da família: a desagregação dos vínculos entre pais e filhos; as modas imorais; a negação do valor da virgindade; o “amor livre” — ou a “união livre” — que penetra na sociedade; a promiscuidade sexual; o controle artificial da natalidade e a pílula anticonceptiva; o aborto que se pratica em larga escala; a quebra da barreira de horror que havia no povo brasileiro em relação ao chamado casamento homossexual.

São os erros do comunismo, previstos por Nossa Senhora em Fátima e mencionados no artigo acima, envenenando nosso povo. Podemos ver aí a ilação entre Fátima e o atentado sacrílego em Aparecida, pois não se atendeu aos pedidos de Nossa Senhora, manifestados em 1917.

É devido a esse conjunto de fatores que o espaço perdido pela Igreja Católica vem sendo preenchido por seitas protestantes, “evangélicas” etc., atraindo os católicos com suas falsas doutrinas e interpretando a seu modo os ensinamentos da Bíblia.

Peçamos a nossa Mãe e Rainha que tenha pena do povo brasileiro, que Ela tanto amou. Assim como a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi restaurada, imploremos que Ela restaure também em nossas almas o amor e a íntegra fidelidade aos ensinamentos imutáveis da Igreja. Fidelidade que consiste em amar a verdade e rejeitar inteiramente os erros do comunismo, espalhados pelo mundo inteiro. Desse modo, este povo poderá obter as graças para restaurar a grandeza de seu glorioso passado e construir um futuro ainda mais esplêndido.

Nossa Senhora, Rainha destronada

Além do gravíssimo atentado sacrílego referido acima, em nossa época outros ultrajes são perpetrados contra a Senhora Aparecida. De passagem, citemos alguns: em 12-10-95, o pastor protestante Sérgio Von Helder, chutou uma cópia da imagem d’Ela, perante câmaras de televisão; em 4-4-99, o evangélico Carlos Antonio Macedo atirou uma pedra na bendita imagem (não sendo ela danificada, porque a protegia um vidro blindado); filmes, shows e teatros com peças blasfemas, que ridicularizam Nossa Senhora; grupos evangélicos que, por meio de projeto de lei, tentam destronar Nossa Senhora, arrancando-lhe o título de Rainha do Brasil; e outros que tentam eliminar o feriado nacional de 12 de outubro, em honra à Virgem Mãe Aparecida.

Como percebemos, Ela continua a ser virulentamente atacada pelos inimigos e abandonada até por filhos. E nós? Nada faremos para desagravar essa situação? Ficaremos de braços cruzados?

“Nossa Senhora é como uma Rainha que está sentada no seu trono. A sala está cheia de inimigos. Os inimigos já arrancaram-lhe o dossel, já tiraram da sua fronte veneranda a coroa de glória a que Ela tem direito, já lhe arrancaram das mãos o cetro. Ela está amarrada para ser morta.

Dentro dessa sala cheia de gente poderosa, armada, influente — todos diante da Rainha que não faz outra coisa senão chorar —, há também um pugilo de fiéis, e Ela evidentemente olha para tais fiéis. Assim, ou este olhar faz em nós o que o olhar de Jesus fez em São Pedro, ou não há mais nada para dizer…

A Rainha vai ser arrancada do trono. Pergunta-se: o que nós vamos fazer? Nesta hora deste olhar, isso não me interessa? Este olhar não me sensibiliza?

Poder-se-ia então perguntar: quem sou eu? Eu sou o homem para quem Nossa Senhora olhou!

Mas serei o homem a quem Ela terá olhado em vão?”.

* * *

Supliquemos a Ela a graça de não permanecermos indiferentes a tão maternal olhar, de não ficarmos de braços cruzados perante os ultrajes lançados contra Ela.

Somente assim seremos súditos dignos da celestial Rainha, e o Brasil merecedor de sua augusta Padroeira. Temos tudo para realizar as promessas de um grandioso porvir na maior nação católica da Terra, pois temos a melhor de todas as Rainhas — uma vez que a Rainha do Brasil é a Mãe do Rei dos reis.

Notas: 1. Vide Catolicismo, Nº 502, outubro/1992. Ao leitor desejoso de conhecer maiores detalhes desse milagre, e de vários outros operados por meio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, aconselhamos o livro Rainha do Brasil — A maravilhosa história e os milagres de Nossa enhora da Conceição Aparecida, de Gustavo Antonio Solimeo e Luiz Sérgio Solimeo (Diário das Leis, São Paulo, 1992). O autor refere-se ao Poder das Chaves, comunicado por Jesus Cristo a São Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus” (Mt 16, 17-19). 3. Entende-se Reino de Maria — previsto em Fátima e tão desejado por Plinio Corrêa de Oliveira — no sentido empregado por São Luís Maria Grignion de Montfort (grande missionário francês do século XVII e Doutor marial) em seus escritos, especialmente no célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem: “Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? [...] Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Vosso [de Jesus Cristo] Reino” (São Luís Maria G. de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 1984, 13ª ed., pp. 210-211).



Fonte: Revista Catolicismo

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Há mais de um século, Nossa Senhora Aparecida coroada Rainha do Brasil - Parte II

Leia a Parte I

Foto - Placa comemorativa da passagem do Imperador por Aparecida do Norte em 1822

Prece do sesquicentenário

“Ó Senhora Aparecida.

Ao aproximar-se a data em que completamos um século e meio de existência independente, nossas almas se elevam até Vós, Rainha e Mãe do Brasil. Cento e cinqüenta anos de vida são, para um povo, o mesmo que quinze para uma pessoa: isto é, a transição da adolescência — com sua vitalidade, suas incertezas e suas esperanças — para a juventude, com seu idealismo, seu arrojo e sua capacidade de realizar.

Neste limiar entre duas eras históricas, vamos transpondo também outro marco. Pois estamos entrando no rol das nações que, por sua importância, determinam o rumo dos acontecimentos presentes e têm em suas mãos os fios com que se tece o futuro dos povos.

Agradecimento

Neste momento rico em esperanças e glória, ó Senhora, vimos agradecer-Vos os benefícios que, Medianeira sempre ouvida, nos obtivestes de Deus onipotente.

Agradecemo-Vos o território de dimensões continentais e as riquezas que nele pusestes.

Agradecemo-Vos a unidade do povo, cuja variegada composição racial tão bem se fundiu na grande caudal étnica de origem lusa, e cujo ambiente cultural, inspirado pelo gênio latino, tão bem assimilou as contribuições trazidas por habitantes de todas as latitudes.

Agradecemo-Vos a Fé católica, com a qual fomos galardoados desde o momento bendito da Primeira Missa.

Agradecemo-Vos nossa História serena e harmoniosa, tão mais cheia de cultura, de preces e de trabalho do que de desavenças e guerras.

Agradecemo-Vos nossas guerras justas, iluminadas sempre pela auréola da vitória.

Agradecemo-Vos nosso presente, tão cheio de realizações e de esperanças de grandeza.

Agradecemo-Vos as nações deste Continente, que nos destes por vizinhas, e que, irmanadas conosco na Fé e na raça, na tradição e nas esperanças do porvir, percorrem ao nosso lado, numa convivência sempre mais íntima, o mesmo caminho de ascensão e de êxito.

Agradecemo-Vos nossa índole pacífica e desinteressada, que nos inclina a compreender que a primeira missão dos grandes é servir, e que nossa grandeza, que desponta, nos é dada não só para nosso bem, mas para o de todos.

Agradecemo-Vos o nos terdes feito chegar a este estágio de nossa história no momento em que pelo mundo sopram tempestades, se acumulam problemas, e terríveis opções espreitam, a cada passo, os indivíduos e os povos. Pois esta é, para nós, a hora de servir ao mundo, realizando a missão cristã das nações jovens deste hemisfério, chamadas a fazer brilhar, aos olhos do mundo, a verdadeira luz que as trevas jamais conseguirão apagar.

Prece

Nossa oração, Senhora, não é, entretanto, a do fariseu orgulhoso e desleal, lembrado de suas qualidades mas esquecido de suas faltas. Pecamos. Em muitos aspectos, nosso Brasil de hoje não é o País profundamente cristão com que sonharam Nóbrega e Anchieta. Na vida pública como na dos indivíduos, terríveis germes de deterioração se fazem notar, que mantêm em sobressalto todos os espíritos lúcidos e vigilantes.

Por tudo isto, Senhora, pedimo-Vos perdão.

E, além do perdão, Vos pedimos forças. Pois sem o auxílio vindo de Vós, nem os fracos conseguem vencer suas fraquezas nem os bons alcançam conter a violência e as tramas dos maus.

Com o perdão, ó Mãe, pedimo-Vos também a bênção.

Quanto confiamos nela!

Sabemos que a bênção da Mãe é preciosa condição para que a prece do filho seja ouvida, sua alma seja rija e generosa, seu trabalho seja honesto e fecundo, seu lar seja puro e feliz, suas lutas sejam nobres e meritórias, suas venturas honradas, e seus infortúnios dignificantes.

Quanto é rica destes e de todos os outros dons imagináveis a Vossa bênção, ó Maria, que sois a Mãe das mães, a Mãe de todos os homens, a Mãe Virginal do Homem-Deus!

Sim, ó Maria, abençoai-nos, cumulai-nos de graças e, mais do que todas, concedei-nos a graça das graças: ó Mãe, uni intimamente a Vós este Vosso Brasil.

Amai-o mais e mais.

Tornai sempre mais maternal o patrocínio tão generoso que nos outorgastes.

Tornai sempre mais largo e mais misericordioso o perdão que sempre nos concedestes.

Aumentai vossa largueza no que diz respeito aos bens da Terra, mas, sobretudo, elevai nossas almas no desejo dos bens do Céu.

Fazei-nos sempre mais amantes da paz e sempre mais fortes na luta pelo Príncipe da Paz, Jesus Cristo, Filho vosso e Senhor nosso.

De sorte que, dispostos sempre a abandonar tudo para lhe sermos fiéis, em nós se cumpra a promessa divina do cêntuplo nesta Terra e da bem-aventurança eterna.

Ó Senhora Aparecida, Rainha do Brasil! Com que palavras de louvor e de afeto Vos saudar no fecho desta prece de ação de graças e súplica? Onde encontrá-las, senão nos próprios Livros Sagrados, já que sois superior a qualquer louvor humano?

De Vós exclamava profeticamente o povo eleito, palavras que amorosamente aqui repetimos:

— Tu gloria Jerusalem, tu laeticia Israel, tu honorificentia populi nostri.

Sois Vós a glória, Vós a alegria, Vós a honra deste povo que Vos ama”.(4)

* * *
Atentado sacrílego perpetrado contra nossa Padroeira


Fragmentos da imagem milagrosa, após o sacrílego atentado de 1978 - foto

Motivos para se pedir perdão não nos faltam. Pois é enorme o afastamento do povo brasileiro em relação à sua grandiosa vocação — tão manifesta na virtude e na fibra dos heróis de seu glorioso passado. Um tufão de imoralidade varre o País de norte a sul e o faz jazer numa decadência de costumes sem precedentes. Muitos se entregam sem luta, pois querem “gozar a vida”; outros vacilam entre o Reino de Nossa Senhora e um reino meramente terreno; ou, ainda pior, vacilam entre o Reino de Nossa Senhora e o reino do demônio.


Nessa encruzilhada, deu-se no Brasil um fato terrivelmente sinistro: o brutal e sacrílego atentado contra nossa Rainha e Mãe, que reduziu sua imagem a pedaços.

Naquele trágico 16 de maio de 1978 — dia negro em nossa história — o povo brasileiro recebeu atônito a inacreditável notícia da quebra da bendita imagem. Ato perpetrado por um protestante que, após tê-la arrancado de seu trono no altar, espatifou-a em quase 200 cacos jogando-a ao chão. O Brasil inteiro ficou chocado.

A comoção foi geral na opinião pública católica. De todos os lábios afluía a indagação: “Por quê?”. Por que teria Deus permitido tamanha afronta contra a sagrada imagem de Sua Mãe Santíssima? Um castigo? Não teria Deus permitido o nefando atentado devido à decadência moral de nosso povo?

A Imagem que se partiu

“O Brasil, há mais de dois séculos, venera Nossa Senhora como sua especial Padroeira. E essa veneração se dirige a Ela sob a invocação de Imaculada Conceição Aparecida.

— Nossa Senhora Aparecida!

A exclamação acode freqüentemente ao espírito dos brasileiros. E sobretudo nas grandes ocasiões. Pode ser o brado de uma alma aflita que se dirige a Deus pela intercessão da Medianeira que nada recusa aos homens, e à qual Deus, por sua vez, nada recusa. Pode igualmente ser a exclamação de uma alma que não se contém de alegria e extravasa seu agradecimento aos pés da Mãe, de quem nos vêm todos os benefícios.

A história da pequena imagem de terracota escura — com o seu grande manto azul sobre o qual resplandecem pedras preciosas, e cingindo à fronte a coroa de Rainha do Brasil — encheria livros. Esses livros, se fossem concebidos como eu os imagino, deveriam conter não só os insignes fatos históricos que a Ela se prendem, mas também, em apêndice, as legendas que a piedade popular a respeito deles teceu. É da amálgama de uma coisa e outra — história séria e incontestável, e legenda graciosa — que resulta a imagem global da Aparecida como ela existe no coração de todos os brasileiros:

O escravo que rezava aos pés da Senhora concebida sem pecado original, ao mesmo tempo que dele se acercava o dono inclemente, quando as algemas se rompem, o coração do amo que se comove, etc.;

O Príncipe Regente que saudava a imagem no decurso do trajeto que o levava do Rio a São Paulo, onde iria proclamar a Independência e fazer-se imperador;

O ato do novo monarca colocando oficialmente o Brasil sob a proteção da Virgem Imaculada Aparecida;

A coroação da imagem com a riquíssima coroa de ouro cravejada de brilhantes, oferecida anos antes pela Princesa Isabel, coroação feita em 8 de setembro de 1904 pelos bispos da Província Meridional do Brasil e de outros pontos do País, em razão do decreto do Cabido da Basílica Vaticana, aprovado por São Pio X;

O velho Venceslau Brás, ex-presidente da República, assistindo piedoso, no jubileu de prata da coroação da imagem, à missa hieraticamente celebrada por D. Duarte Leopoldo e Silva, reluzente daquela como que majestade episcopal tão caracteristicamente dele;

A solene proclamação do decreto do papa Pio XI, de 16 de julho de 1930, constituindo e declarando “a Beatíssima Virgem Maria, concebida sem mácula, sob o título de Aparecida, padroeira principal de todo o Brasil, diante de Deus”;

A apoteótica manifestação do dia 31 de maio de 1931, em que o episcopado nacional, diante da milagrosa imagem levada triunfalmente ao Rio de Janeiro em trem-santuário, na presença das maiores autoridades civis e militares e em união com todo o povo — mais de um milhão de pessoas! — consagrou o País a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

E assim por diante, sem falar das curas, aos milhares. Quantos milhares? Cegos, aleijados, paralíticos, leprosos, cardíacos, que direi eu mais! Multidões e multidões sem conta de devotos, vindas do Brasil inteiro, com as mães contando às criancinhas, ao voltarem para os lares, alguma narração piedosa sobre a santa, inventada na hora ou ouvida da avó ou da bisavó. Bem entendido, narração enriquecida, de geração a geração, com mais pormenores maravilhosos.


Tudo isso levava o Brasil inteiro a emocionar-se — e com quanta razão — ante a pequena Imagem de terracota escura, vendo nela o sinal palpável da proteção de Nossa Senhora.

E o sinal se quebrou.

Por sua vez, essa quebra não será um sinal? Sinal de quê?

A julgar pelas narrações da imprensa, os pormenores do fato ocorrido estão envoltos em mistério. [...] Nosso público, habitualmente informado com inútil luxo de pormenores acerca de qualquer crime do gênero dos que entram na triste rotina das grandes cidades contemporâneas, entretanto pouco sabe desse sacrilégio trágico que marca a fundo a história de Aparecida, a história religiosa do Brasil e por isto, pura e simplesmente, a história do Brasil. [...]

Amigos meus que conversaram há dias com altíssima personalidade eclesiástica, dela ouviram que o sacrilégio teria relação com a aprovação do divórcio no Brasil.

A hipótese faz pensar. Talvez, entristecida a fundo pela promulgação do divórcio, Nossa Senhora, ao permitir o crime, tenha querido fazer ver ao povo brasileiro seu desagrado pelo fato. Seria bem isso? Sem dúvida, a introdução do divórcio foi um gravíssimo pecado coletivo cometido pela Nação brasileira. [...]


Há dois aspectos pelos quais a aprovação do divórcio pode ser relacionada com o crime sacrílego. De um lado, se o divórcio foi aprovado, é porque a resistência contra o mesmo foi insuficiente. Quando o sr. N. Carneiro era aclamado aos brados pelo plenário do Congresso e por uma minoria que abarrotava as galerias, logo depois da aprovação da lei, a Nação dormitava. E essa soneira em hora tão grave exprime, por sua vez, uma flagrante falta de zelo. Pois não nos basta não fazer uso da lei. Se não a queríamos, por que não a impedimos?

Por outro lado, como não reconhecer nesse censurável indiferentismo, não um estado de espírito de momento, mas uma atitude de alma resultante de efeitos ainda muito mais profundos?

Quando a moralidade das modas decai assustadoramente, quando os costumes sociais se degradam a todo momento e a limitação da natalidade, praticada por meios condenados pela Igreja, vai ganhando proporções assustadoras, prepara-se o caldo de cultura para o comunismo. Este, embuçado em criptocomunismos, eurocomunismos, socialismos e outros disfarces ideológicos, vai avançando. Como não reconhecer nisto um complexo de circunstâncias nas quais se insere, com toda a naturalidade, o divórcio?

Isto dito, como não lembrar a profecia de Nossa Senhora, feita em Fátima pouco depois da queda do tzarismo?

Eis as palavras d’Ela: ‘Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará’.

É impossível não perguntar se existe uma relação entre essa trágica e materna previsão, desatendida pelo mundo ao longo dos últimos sessenta anos, e a também trágica ocorrência de Aparecida. Não será esta um eco daquela? Um eco destinado especialmente ao Brasil, pois que entre nós, e contra a Imagem de nossa Padroeira, o crime se deu.

Especialmente para o Brasil, sim; exclusivamente para o Brasil, quiçá não. Pois nosso País é o que tem hoje em dia a maior população católica do globo. E Aparecida é, depois de Guadalupe, o santuário mariano de maior afluxo de peregrinos em todo o orbe. Pelo que, quanto aqui ocorra em matéria de devoção marial tem um significado para o mundo inteiro.

Muitos dirão que a ilação entre Fátima e Aparecida não pode ser afirmada, por falta de provas cabais. Não entro aqui na análise da questão. Pergunto simplesmente se há quem se sinta com base para negá-la...”(5)

Parte final amanhã

Fonte: Revista Catolicismo

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Há mais de um século, Nossa Senhora Aparecida coroada Rainha do Brasil

A Realeza efetiva de Nossa Senhora Aparecida sobre o Brasil é um fato que ninguém pode negar. A propósito, uma pergunta poder-se-ia fazer: o povo brasileiro é fiel a essa excelsa Soberana?
Freqüentemente publicamos matérias relacionadas com as maravilhas operadas pela Divina Providência em favor do povo brasileiro. Enaltecendo assim a extraordinária vocação deste País nascido à sombra da Cruz. Entretanto, nenhuma maravilha é mais indicativa dessa predileção celestial do que a miraculosa aparição da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba, em Aparecida do Norte.

Foto - Rio Paraiba onde a imagem da Padroeira foi encontrada. Junto, o medalhão representando o Papa São Pio X

Nada supera as abundantes graças ali dispensadas pela Virgem Santíssima aos filhos, que a seus pés suplicam favores espirituais e materiais. Após o miraculoso encontro da imagem aparecida, as graças, os milagres e prodígios por Ela operados naquela cidade e pelo Brasil afora perpetuam os sinais de sua predileção. Contudo, em meio ao dilúvio de crises que se abate sobre o mundo, esse mesmo povo, parece por vezes d´Ela se esquecer.

Mais do que nunca, quando parecem soçobrar todas as nações, filialmente voltemos nossos olhares para nossa Santa Mãe, a Rainha e Padroeira do Brasil, e n´Ela encontraremos a solução para todas as nossas dificuldades.

* * *
Em comemoração ao dia de Nossa Senhora Aparecida postaremos em 3 partes uma matéria sobre a Padroeira do Brasil, enquanto Rainha, com direito a exercer efetiva realeza no nosso país.

Rainha com direitos efetivos sobre o Brasil

“Creio que não existe um só país que não tenha uma grande devoção a alguma invocação especial de Nossa Senhora; e no qual Ela não seja, debaixo de algum título, a Padroeira.
Há também as invocações a Nossa Senhora em cidades e em regiões, como, por exemplo, Nossa Senhora da Penha, em São Paulo. E ainda há imagens de Nossa Senhora particularmente invocadas em determinadas paróquias.
Foto - Ilustração representando o encontro milagroso da imagem no Rio Paraíba

Ou seja, Nossa Senhora, com aquela índole materna que é característica da missão d’Ela junto aos homens, se faz grande com os grandes, se faz pequena com os pequenos. Ela se faz universal para as grandes coletividades e se faz como que regional para vários grupos humanos. Desse modo podemos admirá-la em todas as dimensões: como Rainha das grandes coletividades, mas também como Mãe das pequenas unidades.

A variedade de invocações à Virgem Maria

Eu até tenho visto instituições familiares com uma devoção especial por essa ou aquela invocação de Nossa Senhora, como representando uma relação especial d´Ela com determinada família. Assim, esse padroado de Nossa Senhora toma um sentido ainda mais pormenorizado. Quer dizer, é mais uma invocação, mais uma acomodação desse trato de Nossa Senhora com os homens. E por vezes existe ainda uma devoção para cada um individualmente.

Há, portanto, uma espécie de refração da imagem de Nossa Senhora, segundo várias grandezas, várias distâncias, vários sentidos, várias dimensões, povoando o firmamento mental do homem de vários modos.

O surgimento da devoção à Virgem Mãe Aparecida
Nessa perspectiva é que devemos considerar a devoção a Nossa Senhora Aparecida como Rainha do Brasil. A América Latina tem como padroeira Nossa Senhora de Guadalupe, e no Brasil nós temos Nossa Senhora Aparecida. O que isso significa para nós?

Foto - Piso da Basílica velha, desgastado pelos incontáveis devotos que transpuseram os umbrais do templo

É interessante notar como essa devoção nasceu, que características tomou e como foi se desenvolvendo ao longo da história do Brasil. Sabemos que ela nasceu no Vale do Paraíba, e conhecemos o seu ponto de partida. Em outubro de 1717, três pescadores [Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso] estavam pescando no Rio Paraíba. De repente eles “pescam” com suas redes um tronco de imagem, e mais adiante a cabeça da imagem. A pescaria, que estava muito difícil até aquele momento, tornou-se abundante.

Depois eles construíram junto ao rio uma capelinha para a imagem que tinham encontrado, substituída mais tarde por uma capela maior. Muitos anos depois, ergueu-se no local uma Igreja [Trata-se da chamada “Basílica Velha”, ainda em nossos dias aberta aos fiéis, que data de 1888.

Foto - Quadro representando a libertação milagrosa do escravo Zacarias

As graças ali alcançadas foram acentuadamente numerosas. O povo começou a afluir em quantidade, recebendo graças extraordinárias, entre as quais se conta uma que é famosa: um escravo chamado Zacarias, perseguido por seu senhor, tendo rezado diante da Imagem Aparecida, pediu sua libertação.

Percebeu ele, de repente, que suas algemas se partiram, ficando livre delas. E seu senhor, que iria puni-lo ferozmente, porque tinha fugido, viu-se desarmado, e concedeu ao escravo a liberdade. As correntes e algemas ainda se conservam na sala dos milagres na cidade de Aparecida.(1)

Nossa Senhora, Rainha do Brasil


Desde então a devoção a Nossa Senhora Aparecida se tem generalizado. Populações daquela zona do norte do Estado de São Paulo, como também de Minas Gerais, do Estado do Rio etc, confluem para ali; e Nossa Senhora vai atendendo aqueles devotos, concedendo continuamente graças extraordinárias.

Foto - Imagem da Padroeira do Brasil, durante a cerimônia da coroação, em setembro de 1904

Mas, ao mesmo tempo em que isto se dava, a devoção a Nossa Senhora Aparecida foi marcando a vida da Igreja. A tal ponto que, no pontificado de São Pio X, Ela foi coroada solenemente Rainha do Brasil, em 8 de setembro de 1904. Coroação efetivada num ato oficial, na presença de muitos membros do Episcopado nacional. De acordo com um decreto da Santa Sé, Nossa Senhora Aparecida passou a ser Rainha do Brasil. Depois, em julho de 1930, Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Rainha e Padroeira do Brasil.

A Santa Sé tem o direito de constituir uma padroeira para determinada nação, bem como o de erigir uma realeza dessa natureza, que estabelece um vínculo especial de um determinado povo com Nossa Senhora, e — o que é mais estupendo — da Santíssima Virgem com esse povo. O poder de desligar e ligar na Terra e no Céu tem, entre outros, esse efeito.(2)

E Nossa Senhora, portanto, ficou sendo no Céu a verdadeira Rainha do Brasil. Esse fato nos deve ser muito grato, porque devemos ver nele um prenúncio do Reino de Maria.(2)

Rainha do Brasil: direitos efetivos em nossa Pátria

Nossa Senhora aclamada Rainha do Brasil, o Reino de Maria, juridicamente, já ficou declarado. E juridicamente, para os efeitos celestes e para os efeitos terrestres, Nossa Senhora tem direitos sobre o Brasil ainda maiores do que se Ela fosse Rainha apenas nesta Terra.

Devido a isto, temos uma obrigação especial de cultuar Nossa Senhora; de dar glória a Ela; de espalhar sua devoção por toda parte; de lutar junto aos outros povos que resistam ao culto de Nossa Senhora; de fazer, portanto, cruzadas em nome d´Ela. Com isso, é toda uma vocação nacional e mundial que se delineia para o Brasil, a partir precisamente dessa devoção a Ela como nossa Rainha.

Aparecida, enquanto capital espiritual do País

Daí decorre também outro fato: se o Brasil não fosse oficialmente o País agnóstico e interconfessional que é, o verdadeiro seria, para determinados efeitos, a capital autêntica do Brasil ser Aparecida.

Foto - A Basílica Nova de Nossa Senhora Aparecida

Após Nossa Senhora ter sido declarada Rainha do Brasil, eu não concebo a possibilidade de que os grandes atos da vida nacional se realizem em outro lugar que não em Aparecida: a promulgação de leis importantes; declaração de guerra; tratados de paz; grandes solenidades das ilustres famílias do País. Eu só concebo tais atos sendo realizadas em Aparecida, que, pelo ato dessa coroação, ficou sendo o centro espiritual do País.

No momento em que tanto se discute “Brasília ou Rio”, nós esquecemos o verdadeiro pólo: Aparecida, para esses efeitos, a verdadeira capital do País! Assim tem-se a perspectiva de como Aparecida deveria ser considerada.

O reinado do Coração Imaculado de Maria no Brasil

É bonito imaginar como será a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, quando for instaurado no Brasil o Reino de Maria [predito por São Luís Grignion]. Que honra, que pompa, que grandeza, que nobreza, que elevação essa basílica deveria ter!

Foto - Com vibrante entusiasmo, a população do Rio de Janeiro a recebe a imagem da Padroeira em 1931
Podemos imaginar uma grande conjunção de ordens religiosas contemplativas que deveriam se estabelecer naquela região; grandes confessores que fossem confessar ali, para fazer bem às almas; centros especiais de cursos para intensificação da devoção mariana; enfim, quanta e quanta coisa.

São desejos que não estão no reino dos sonhos. Estão no reino dos ideais. Nós, que confiamos na Providência Divina, sabemos bem a diferença que há entre um sonho e um ideal. Para o homem que não confia na Providência, todo ideal não é senão um sonho; para o que confia, muita coisa que parece sonho é um ideal realizável.
Devemos esperar que Ela realize tais fatos, e fazer tudo para apressar esse dia — dia da constituição naquela localidade de uma ordem de coisas como deve ser, sintoma da remodelação de todas as coisas no Brasil e no mundo, para o cumprimento da promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

É para o triunfo do reinado do Coração Imaculado de Maria — que no Brasil se apresenta sob a devoção a Nossa Senhora Aparecida — que devemos rezar”.

* * *
Em 1972, o Brasil completava um século e meio de sua independência. Por ocasião desse sesquicentenário, foi publicado na “Folha de S. Paulo”, artigo merecedor de figurar numa antologia. Tal a elevação de seu teor, que muitos o qualificaram como sendo uma oração pelo Brasil dirigida à nossa Rainha e Padroeira.

Ao mesmo tempo, agradecimento, pedido de perdão e súplica: agradecimento pela grandiosa missão concedida pela Divina Providência ao nosso País; perdão pelos desvios nessa esplêndida missão; súplica para que, apesar de tais desvios, a nação brasileira atinja, no mais alto grau, sua missão histórica

Continua amanhã

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL

Sua festa é celebrada hoje, dia 12 de outubro, e desde 1988 seu dia é considerado feriado nacional.

Foi em 1717 que, nas águas benditas do rio Paraíba, três pescadores encontraram a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que viria a ser constituída Rainha e Padroeira do Brasil.

Não há brasileiro digno desse nome que não se comova profundamente ao ouvir as estrofes despretensiosas mas cheias de unção do velho hino mariano:

"Viva a Mãe de Deus e nossa
Sem pecado concebida
Viva a Virgem Imaculada
A Senhora Aparecida"



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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nossa Senhora do Rosário

O dia 7 de outubro é marcado pela festa instituída por Papa São Pio V, como ação de graças pela prodigiosa vitória de Lepanto, obtida em 1571 pela armada católica, comandada por D. João d´Áustria, contra os turcos maometanos.

O Papa ordenara que, em toda a Cristandade, se rezasse o Rosário pedindo essa vitória que, segundos os cálculos humanos, parecia impossível.

A importância do Rosário em nossos dias foi, ainda recentemente, destacada por João Paulo II:

"Esta oração simples e profunda, cara aos indivíduos e às famílias, outrora muito difundida entre o povo cristão.

Que alegria seria se também hoje fosse redescoberta e valorizada, especialmente no interior das famílias.

Ela ajuda a contemplar a vida de Cristo e os mistérios da salvação; graças à incessante invocação da Virgem, afasta os germes da desagregação familiar; é o vínculo seguro de comunhão e paz.

Exorto a todos, e de modo especial às famílias cristãs, a encontrar no santo Rosário o conforto e o sustento cotidiano para caminhar nas vias da fidelidade" (João Paulo II, alocução de 25/10/98)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Nossa Senhora de Aachen

Eis aí uma imagem propriamente lindíssima!

Nela o que mais chama a atenção, não é tanto o belo vestido, ou a excelente escultura, mas sobretudo o estado temperamental que o artista sobre imprimir em Nossa Senhora.

Apresenta-se Ela como uma pessoa respeitável, no mais alto grau. É propriamente uma Rainha.

Mas ao mesmo tempo, sendo Ela é uma Soberana, sente-se n'Ela toda a bondade de uma mãe.

Não só pelo modo de carregar no braço o Menino Deus, mas no modo pelo qual Ela parece olhar para a pessoa que está apresentando a Ela uma súplica.

Tal olhar manifesta uma tal boa vontade, benevolência e uma disposição de atender, que impressiona da forma mais agradável.

Nessa imagem, Nossa Senhora apresenta algo do sério da idade madura mas também se nota qualquer coisa ainda de moça.

É interessante considerar tal equilíbrio das duas idades, reunindo-se num momento da vida de nossa Rainha, em que Ela manifesta, ao mesmo tempo, os atrativos de uma e de outra etapa.

Por outro lado, é preciso considerar a calma externada na imagem.

Uma calma completa, serena, de quem não vive correndo de um lado para outro, de quem – poder-se-ia dizer – nunca andou, de automóvel, nunca viajou de avião, jamais assistiu televisão ou usou telefone.

É uma pessoa cujos nervos estão completamente desengajados do corre-corre do século XX.


Fonte:Blog Orações e milagres medievais

terça-feira, 15 de setembro de 2009

As Sete Dores de Maria Santíssima


Tais dores são as seguintes:

1) Aflição diante da profecia do velho Simeão;

2) Angústias por ocasião da fuga e permanência no Egito;

3) Agonia pela perda do Menino Jesus, quando este discutia no Templo com os doutores da Lei;

4) Consternação quando deparou seu divino Filho carregando a Cruz;

5) Martírio ao assistir a agonia do Redentor da humanidade;

6) Ferida que seu Imaculado Coração sofreu no momento em que a lança transpassou o Sagrado Coração de Jesus;

7) Amargura em face do sepultamento do Deus humanado.


Hora da Virgem desolada

Exercício de piedade destinado a recordar a desolação pela qual passou a Santíssima Virgem após a morte e sepultamento de nosso Redentor até Sua gloriosa Ressurreição.

Essa devoção originou-se num mosteiro do Reino de Nápoles, tendo se propagado depois a outras regiões da Itália. Em Roma, ela teve início na igreja de São Marcelo, em 1841, por iniciativa dos padres da Ordem dos Servos de Maria, que foram exortados a adotar tal exercício pelo Cardeal Oldescalchi.

Coroa das Sete Dores de Maria

Forma de oração semelhante à do Rosário, mediante a qual se recitam sete Ave-Marias para cada uma das Sete dores da Virgem Santíssima, as quais devem ser meditadas durante o exercício.

Tal coroa provavelmente remonta à época dos Santos Fundadores da Ordem dos Servitas.

Bento XIII, através do decreto de 26 de setembro de 1724, concedeu várias indulgências aos que recitaram a coroa das Sete Dores.

Via da Mãe Dolorosa

Esse exercício de piedade é análogo ao da Via Sacra. Consta de sete estações, nas quais se meditam as principais dores que a Santíssima Virgem suportou durante sua vida.

A Via da Mãe dolorosa teve origem na Ordem dos Servos de Maria, no início do século XVIII. Os Papas Gregório XVI, Leão XIII e São Pio X concederam preciosas indulgências aos que praticassem tal exercício de piedade, que alcançou em nossos dias, grande difusão nos Estadou Unidos.

Fonte: Revista Catolicismo

15 de setembro - Nossa Senhora das Dores e seus arautos, os Servos de Maria

Festa instituída por Pio VII em 1814, em substituição a duas outras muito antigas, para rememorar as dores da Co-Redentora do gênero humano.

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A Ordem dos Servitas, cujos sete fundadores a Mãe de Deus convidou conjuntamente, dedica-se sobretudo a difundir a devoção às principais dores que Maria pareceu durante sua vida

"Eis os servos de Maria!" exclamavam miraculosamente nos braços de suas mães várias crianças de meses.

Entre os inocentes que se rejubilavam com suas harmoniosas vozes, encontrava-se o pequeno Felipe Benizi, de ilustre família florentina -- mais tarde admirável Prior Geral da Ordem dos Servos de Maria ou dos Servitas e, grande Santo.

Esse prodígio ocorreu em 1235, quando sete jovens caminhavam pelas ruas de Florença, atraindo a curiosidade e a admiração da população da cidade.

Eles pertenciam a estirpes locais das mais notáveis e haviam se retirado dois anos antes a Cafaggio, fora dos muros de Florença, a fim de começar um cenóbio, com intensa vida de penitência e oração.

Bonfilho Monaldi, Aleixo Falconieri (Aleixo), Bartolomeu Amidei (Amadeu), João Manetti (Bonajunto), Bento de l'Antella (Maneto), Gerardo Sostegni (Sóstenes) e Ricovero Lippi (Ugucião), eram seus nomes de família.

Entre parênteses, figura a denominação que a própria Mãe de Deus atribuiu a cada um dos sete videntes, quando lhes apareceu em 1233, nome que passaram a usar na vida religiosa.

Nossa Senhora escolheu esses sete privilegiados para uma vocação sublime: praticar a pobreza e uma renúncia radical ao mundo, além de severa penitência; e especial devoção a Ela, vinculada às dores que sofreu durante a Paixão de Seu divino Filho.

Para se compreender melhor tal chamado parece-nos conveniente apresentar, de modo sintético, o contexto histórico em que foram suscitados pela Providência tais insignes confessores da Fé, que fundaram uma importante Ordem religiosa, em cujo seio já floresceram mais de dez Santos canonizados.

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A ordem dos Servos de Maria: propugnadora da devoção mariana

Quando Nossa Senhora, em sua aparição aos sete fundadores da Ordem dos Servos de Maria, em 1233, convocou-os para seu serviço, indicou-lhes o hábito negro que deveriam usar, em lembrança e, como manifestação das humilhações e sofrimentos por Ela suportados especialmente durante a Paixão de Seu Divino Filho.

Festa das sete dores de Nossa Senhora

É compreensível, pois, que a devoção às Sete Dores de Maria, já se estabelecesse na Ordem desde seus primórdios, no século XIII.

A Santa Sé concedeu à Ordem dos Servitas a faculdade de comemorar tal festa segundo rito litúrgico próprio, em 1668. O Papa Clemente XI, em 1704, pela Bula Iucunctae nobis, outorgou indulgência plenária a todos os que, cumpridas certas condições, visitassem uma igreja da mencionada Ordem, no terceiro domingo de setembro.

E, em 1814, Pio VII estendeu aquela solenidade para a Igreja universal, bem como a Missa e o ofício compostos pelo Pe. Prospero Bernardino, religioso servita natural de Florença.

Na reforma litúrgica efetuada por São Pio X, a comemoração da referida festa foi fixada para o dia 15 de setembro.

Por Paulo Corrêa de Brito Filho. Texto integral em Catolicismo

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dia 8 de Setembro: Aniversário da Mãe de Nosso Senhor

Para muitos é apenas uma data como outra qualquer. Atualmente, a humanidade, em seu distanciamento da Fé e da doutrina cristã, ignora o dia do nascimento dAquela que estaria destinada a gerar em Seu sagrado ventre o Salvador dos homens.

Dia 8 de Setembro é o dia da Natividade de Nossa Senhora, o aniversário de Maria Santíssima, a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A suma importância dessa data foi expressa por um belíssimo sermão do Padre Antônio Vieira, chamado "Sermão do Nascimento da Mãe de Deus", seguem as palavras do padre:

"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus.

Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.

Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.

E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus."

Portanto, neste dia 8 de Setembro, cabe a cada família católica se recolher em orações e prestar homenagens a Nossa Mãe do Céu, para que, no meio desse mar de ofensas à Nosso Senhor em que estamos vivendo, Nossa Senhora possa ter a alegria de ver que ainda existem verdadeiros católicos, que sabem da importância de celebrar Seu aniversário.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os santos extremos e o perfeito equilíbrio

Causa-me especial alegria ver como Nossa Senhora tem sido cultuada ao longo dos séculos e por toda a extensão da Terra, com os mais variados títulos e sob as invocações mais inesperadas.


Por exemplo:Nossa Senhora de Dong-Lu, Imperatriz da China, ou Nossa Senhora da Defesa (foto acima), em Sassari (Itália), que de espada na mão defendeu os católicos contra a invasão dos godos pagãos. A multiplicação das invocações é sintoma inequívoco dos incontáveis benefícios e graças que Ela distribui pelo mundo todo, de modo particular aos que a Ela recorrem com confiança.

De Maria nunquam satis (De Maria, não há o que baste), disse o grande São Bernardo. E assim o povo fiel vai multiplicando as invocações, para recorrer àquela que é sempre a mesma –– a Mãe de Deus.

Tais invocações podem ter as mais diferentes origens, como por exemplo uma aparição da Virgem Santíssima (Lourdes, Fátima, La Salette); uma graça marcante recebida por alguém (Madonna del Miracolo, que converteu o judeu Ratisbonne); a vitória dos católicos contra inimigos que os assediavam (Nossa Senhora dos Guararapes, ou de Lepanto).

Podem igualmente provir de uma grande carência que a Virgem Santíssima atende, como é o caso de Nossa Senhora da Cabeça, que em 1227, no Monte da Cabeça, na Serra Morena (Andaluzia, Espanha), restituiu ao pobre pastor João Rivas o braço que lhe faltava.

Tais “nomes” de Nossa Senhora, se assim os podemos qualificar, tão diferentes pela sua origem, pelos lugares onde nasceram, pelos atributos da Virgem Santíssima que ressaltam, formam entretanto um conjunto de invocações perfeitamente equilibrado, pois nos mostram Nossa Senhora como “clemente, piedosa e doce” (Salve Rainha), e ao mesmo tempo “terrível como um exército em ordem de batalha” (Cântico dos Cânticos, 6,3). Nesse sentido, poder-se-ia chamá-la Nossa Senhora do perfeito equilíbrio.

Insisto na palavra “equilíbrio”, não obstante seu uso estar muito deturpado em nossos dias. Segundo certa mentalidade corrente, ser equilibrado significaria ser abúlico, não ter opinião definida a respeito de nada, nunca defender o bem contra o mal, nem a verdade contra o erro.

Mereceria o epíteto de “equilibrado” apenas quem fosse um perpétuo conciliador ecumênico, desses que qualificam de extremismo toda atitude categórica, e para os quais dedicar-se a uma causa é ser radical, afirmar uma verdade é ser intolerante. Em outros termos, só os relativistas e os songamongas seriam equilibrados.

Na realidade, a pessoa verdadeiramente equilibrada é aquela capaz de identificar-se com toda forma de bem, de modo a comprazer-se com a mimosa flor do campo e admirar o rugido avassalador do leão; acariciar uma criancinha recém-batizada e lutar como um cruzado no campo de batalha contra os inimigos da civilização cristã; perdoar de todo o coração as ofensas recebidas e dizer com o Santo Rei Davi: “Pois não hei de odiar, Senhor, aos que vos odeiam? Aos que se levantam contra vós, não hei de abominá-los? Eu os odeio com ódio perfeito” (Sl 138, 21-22). E tudo isso sem perder a paz interior e o domínio dos próprios sentimentos.

Portanto, ir aos extremos não é um mal, desde que sejam extremos do bem, isto é, estejam de acordo com os Mandamentos da Lei de Deus. Assim, para nossa época de relativismos, ao indicar para Nossa Senhora o título de “perfeito equilíbrio”, talvez conviesse acrescentar: “e dos santos extremos”. Sim, “Nossa Senhora do perfeito equilíbrio e dos santos extremos” seria uma invocação bem adequada.

Por Gregorio Vivanco Lopes

Fonte: Catolicismo

sábado, 22 de agosto de 2009

Nossa Senhora Rainha

O grande missionário contra-revolucionário, mariólogo e fundador de congregação religiosa, São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), em sua inspirada obra "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", afirma:

"Maria é Rainha do Céu e da Terra, pela graça, como Jesus é o Rei por natureza e conquista.

"Ora, como o reino de Jesus Cristo compreende principalmente o coração ou o interior do homem, conforme a palavra "o reino de Deus está no meio de vós" (Lc. 17,21), o reino da Santíssima Virgem está principalmente no interior do homem, isto é, em sua alma, e é principalmente nas almas que Ela é mais glorificada, com seu Filho, do que em todas as criaturas visíveis, e podemos chamá-la com os santos a Rainha dos corações".

A palavra "coração", nesse caso, significa a alma e, mais propriamente, a mentalidade do homem, isto é, a maneira de ser, pensar e agir que o caracterizam.

Como a opinião pública de um país é expressão da mentalidade dos seus habitantes, Nossa Senhora Rainha dos Corações pode ser entendida também como Soberana da opinião pública.

Colocar todas as obras sob a égide de Nossa Senhora

"Nossa Senhora revelou então a São Domingos de Gusmão uma devoção a Ela, mediante a qual os hereges seriam subjugados. E, de fato, depois de difundida a recitação do Santo Rosário, a heresia dos albigenses, que era tremenda e estava profundamente radicada no solo francês, começou a ser debelada.

Uma das mais belas invocações a Nossa Senhora

"As Congregações Marianas tiveram um florescimento enorme no Brasil, devido precisamente ao culto a Nossa Senhora. Toda a vida católica no Brasil foi florescentíssima no tempo em que não havia esse maldito combate à devoção a Nossa Senhora. É só minguar de qualquer forma a devoção a Ela, que imediatamente todas as coisas começam a decair.

"Onde há devoção a Maria, tudo floresce; extinta essa devoção, tudo míngua; restaurada novamente, tudo volta a florescer.

A razão disso é profunda e teológica. São Luís Grignion mostra que, se Nossa Senhora tem uma grande influência na geração dos membros do Corpo Místico, Ela implicitamente tem um grande poder sobre as almas, porque Ela não poderia obter a geração do Corpo Místico, se não tivesse esse poder.

A devoção a Maria Santíssima age sobre as almas, e o faz de forma imensamente poderosa; por isso, as conversões mais profundas, as mudanças de espírito mais surpreendentes, as graças espirituais mais assinaladas são produzidas por essa devoção.

"Em conseqüência, Nossa Senhora deve ser chamada a Rainha dos Corações. É uma das mais belas invocações a Ela dirigidas".

"Regina Cordium, ora pro nobis" -- Rainha dos Corações, rogai por nós.

Referência: São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Vozes, 6ª ed., 1961.

Fonte: Catolicismo