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domingo, 3 de janeiro de 2010

"Conservai as vossas lâmpadas acesas"

(Comentário ao Evangelho feito por São Maximiliano Kolbe (1894-1941), franciscano, mártir, em conferência de 1941)

O que é preciso fazer para vencer a fraqueza da alma?

Há dois meios para isso: o primeiro é o distanciamento de si próprio.

O Senhor Jesus recomenda-nos que vigiemos. É preciso vigiarmos se quisermos que o nosso coração seja puro, mas é preciso vigiarmos em paz, para que o nosso coração seja tocado, pois ele pode ser tocado por coisas boas ou por coisas más, interiormente, ou exteriormente... portanto é preciso vigiar.

Habitualmente, a inspiração de Deus é uma graça discreta: é preciso não a rejeitarmos...; se o nosso coração não estiver atento, a graça retira-se.

A inspiração divina é muito precisa; tal como o escritor dirige o seu aparo, assim a graça de Deus dirige a alma. Tentemos pois alcançar um maior recolhimento interior.
O Senhor quer que tenhamos o desejo de O amar.

A alma que se mantém vigilante apercebe-se de que cai, e de que, só por si, não consegue lá chegar; por isso, sente a necessidade da oração.

A súplica funda-se na certeza de que nada podemos fazer por nós mesmos, mas que Deus tudo pode.

A oração faz falta para obter a luz e a força.

Leia também: Livro de orações: “A Divina Misericórdia”. Você precisa tê-lo sempre ao alcance das mãos.-

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Saudação 'Salve Maria': Ave Maria! Ave Bernardo!

Nada mais suave para os ouvidos de Maria do que a voz de seus filhos, dirigindo-lhe a saudação angélica. Esta saudação faz estremecer-lhe o coração, como no dia da Anunciação.

O fato seguinte o prova com evidência, e se deu com São Bernardo, um dos mais ilustres servos de Maria.

No meio do século XII, existia nas florestas que separam as Flandres do Brabante uma ermida de religiosos beneditinos, célebre sob o nome de abadia de Afligem.

Bernardo, percorrendo a Alemanha para pregar a segunda Cruzada, foi descansar alguns dias no piedoso convento. Uma estátua de Maria estava no fundo do claustro, na grande galeria.

Com o divino filho nos braços, Maria parecia olhar com ternura para os religiosos que ali passavam. Bernardo dirigia-lhe a saudação angélica todas as vezes que passava diante dela:

— Ave, Maria! — dizia ele.

Um dia, ajoelhou-se aos pés da imagem, repetindo com efusão sua saudação favorita. No momento em que acabava de dizer “Ave, Maria!”, da imagem Maria respondeu:

— Ave, Bernardo! — Eu te saúdo, ó Bernardo!

É impossível descrever a impressão que estas palavras produziram nos circunstantes, e em particular na alma de Bernardo.

Estremeceu, como Santa Isabel no dia da Visitação, quando Maria a saudou: “E donde me vem esta felicidade — exclamou Isabel — que a mãe de meu Senhor se digne visitar-me?” (São Lucas, 1,43).

Sem dúvida, a alma de Bernardo, ouvindo a voz de sua Mãe bem amada, derreteu-se de amor como a da esposa dos cânticos: “Minha alma desfez-se em ternura ao som maravilhoso de sua voz”.

Ao retirar-se, o santo abade de Claraval deixou na abadia a parte superior de seu báculo, como penhor de agradecimento. A estátua conservou-se milagrosamente no claustro até o ano de 1580, época em que foi despedaçada, e o convento saqueado pelos protestantes.
Dos pedaços recolhidos, fizeram-se duas novas estatuazinhas à imitação da antiga. Uma delas venera-se ainda, na igreja dos beneditinos de Termonde.

(“Maria ensinada à mocidade” - Livraria Francisco Alves, 1915)

Fonte: Blog Orações e milagres medievais

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A verdadeira felicidade - São Francisco de Assis

Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão, em tempo de inverno, e como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, (...) Frei Leão perguntou-lhe:

- Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria.

E São Francisco assim lhe respondeu:

- Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: Quem são vocês?

E nós dissermos: Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser: Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui;

- E não nos abrir, continuou São Francisco, e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva, com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele (...) escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem;

E sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria.

- E ouve, pois, a conclusão, irmão Leão. Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos seus amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos (...).

(Texto extraído de Lepanto)

sábado, 29 de agosto de 2009

Refeição, convívio e civilização

Alimentar-se é um ato banal? - Para o homem moderno, habituado à banalidade, certamente. Mas, em si, é ação nobre e rica em significados.

Quis Deus colocar no alimento a prova de nossos primeiros pais. O "fruto proibido" que está na raiz do pecado original simbolizava, a seu modo, algo mais alto do que o simples fato de comer.

Alimentar-se é manter a vida. Mas o homem, criatura racional, não se alimenta como um bicho. A refeição é um ato familiar por excelência, e como ato social pede certo protocolo, certo cerimonial.

Protocolo e cerimonial que impõem ao homem o exercício da virtude da temperança. Em remotíssima era já vemos Abraão desdobrar-se em gentilezas para oferecer hospitalidade a três desconhecidos que passavam por sua tenda.

Na realidade eram anjos que vinham anunciar-lhe a vocação de patriarca (Gen. 18, 1-8). E o melhor ato de cortesia era oferecer uma refeição aos viajantes.

Quando os judeus fugiram do Egito com Moisés, Deus mandou-lhes do Céu o maná para alimentá-los.

E nas vésperas de sua Paixão e Morte, Jesus quis que sua última ceia fosse ocasião para instituir o mais santo e sublime dos sacramentos: a Eucaristia, que é o próprio Corpo e Sangue de Cristo, com sua alma e divindade.

Tendo Ele se encarnado, desejou que os homens participassem da graça divina pela Comunhão eucarística. Haverá algo mais elevado?

Após a Ressurreição, apareceu Jesus aos discípulos de Emaús e comeu com eles. O mesmo fez com os Apóstolos surpresos: "Tendes aí alguma coisa que se coma?". Deram-Lhe uma posta de peixe assado; e, tomando-a, comeu diante deles (Lc 24, 41).

Por isso é natural que os homens dêem graças a Deus pelo alimento que recebem e peçam a bênção divina. Ainda que não se considere o aspecto religioso, a refeição é de si um ato humano que se reveste de dignidade.

Será simples e discreto na vida diária, será mais formal e até requintado nas ocasiões solenes.

Talvez se possa até medir o grau de civilização de um povo segundo o modo de ele se alimentar. O índice maior ou menor de solenidade nas refeições poderia significar progresso ou decadência.

O Império Romano, admirável por tantos lados, serve de exemplo. Propensos à gula, muitos, tendo comido em excesso, mandavam os escravos introduzirem penas em suas gargantas a fim de provocar o vômito, e assim poderem continuar no banquete. É repugnante.

Muitos povos bárbaros que se converteram ao Cristianismo, ao contrário, progrediram nesse aspecto de modo notório, conferindo maior solenidade às refeições importantes.

As doçuras do bom trato não excluem os temperos amargos do sacrifício, pois onde há cerimonial há hierarquia, desigualdade, superiores e inferiores; uns mandam, outros obedecem, o que é natural para um espírito católico mas não é suportável para o orgulho humano quando não contido. Um sorriso pode custar mais que uma jóia.

O Divino Mestre, ao ver no Cenáculo que os Apóstolos discutiam entre si questões de precedência, quis dar-lhes uma lição de humildade lavando-lhes os pés:

"O maior deverá fazer-se o menor, e o que manda será como um servidor dos outros".

Porque mais importante do que reinar neste mundo é alcançar o reino dos céus (cf. Lc 22, 24-30).

A felicidade do convívio humano encontra-se sobretudo no amor ao próximo por amor de Deus.

(Texto integral em Cultura Católica)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A importância da confissão


Uma pesquisa preparada pelo Instituto de Estatística da Igreja católica, sob a direção do Padre Witold Zidaniewicz, publicada pelo jornal Niedziela, da Polônia, revela dados sobre a prática da confissão no país.

O jornal católico informou que os fiéis da Polônia, em sua maioria, praticam o sacramento da confissão. Boa parte dos entrevistados, 46,5%, o fazem algumas todos os meses do ano.

Mais da metade deles, segundo a pesquisa 51,7%, revelou que se confessa algumas vezes por ano, e apenas 1,7% que se dedica a confissão apenas uma vez a confissão durante os 12 meses.

A pesquisa não se limitou a saber apenas quantas vezes as pessoas se confessam durante o ano. Para 85,9%, ocorre uma mudança espiritual após a confissão; para 53,8%, o resultado se vê no fortalecimento dos laços familiares; e 53,6% disseram que o ato ajuda no perdão.

O papel do sacerdote foi questionado e, para a maioria, 55,7%, ele aparece como testemunha da misericórdia, ou de diretor espiritual que compreende nossa vida, segundo 47,4% das pessoas. Para 34,7%, é visto como um médico espiritual. Outros 9% o consideram um juiz que dá a penitência.

O Papa Bento XVI urgiu aos fiéis do mundo a redescobrir o Sacramento da Confissão.

O Pontífice afirmou que o confessor, "com uma dócil adesão ao Magistério da Igreja se faz ministro da consoladora misericórdia de Deus, ressalta a realidade do pecado e manifesta ao mesmo tempo a ilimitada potência renovadora do amor divino , amor que restitui a vida".
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Clique aqui e conheça os benefícios do Terço da Divina Misericórdia.

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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Texto de meditação para a Quaresma e a Semana Santa

A Igreja está diante de nós como Cristo ante a Verônica

A Igreja, sofredora, perseguida, vilipendiada, aí está a nossos olhos indiferentes ou cruéis. Ela está diante de nós como Cristo diante de Verônica. Condoamo-nos com os padecimentos dEla. Com nosso carinho, consolemos a Santa Igreja de tudo quanto ela sofre. Podemos estar certos de que, com isto, estaremos dando ao próprio Cristo uma consolação idêntica à que lhe deu Verônica.

O avanço da incredulidade

Comecemos pela Fé. Certas verdades referentes a Deus e a nosso destino eterno, podemos conhecê-las pela simples razão. Outras, conhecemo-las porque Deus no-las ensinou.

Em sua infinita bondade, Deus se revelou aos homens no Antigo e Novo Testamento, ensinando-nos não apenas o que nossa razão não poderia desvendar, mas ainda muitas verdades que poderíamos conhecer racionalmente, mas que por culpa própria a humanidade já não conhecia de fato.

A virtude pela qual cremos na Revelação é a Fé. Ninguém pode praticar um ato de Fé sem o auxílio sobrenatural da graça de Deus. Essa graça, Deus a dá a todas as criaturas e, em abundância torrencial, aos membros da Igreja Católica.

Esta graça é a condição da salvação deles. Nenhum chegará à eterna bem-aventurança, se rejeitar a Fé. Pela Fé, o Espírito Santo habita em nossos corações. Rejeitar a Fé é rejeitar o Espírito Santo, é expulsar de sua alma a Jesus Cristo.

Vejamos, em torno de nós, quantos católicos rejeitam a Fé. Foram batizados, mas no curso do tempo perderam a Fé. Perderam-na por culpa própria, porque ninguém perde a Fé sem culpa, e culpa mortal.

Ei-los que, indiferentes ou hostis, pensam, sentem e vivem como pagãos. São nossos parentes, nossos próximos, quiçá nossos amigos! Sua desgraça é imensa. Indelével, está neles o sinal do Batismo. Estão marcados para o Céu, e caminham para o inferno. Em sua alma redimida, a aspersão do Sangue de Cristo está marcada.

Ninguém a apagará. É, de certo modo, o próprio Sangue de Cristo que eles profanam, quando nesta alma resgatada acolhem princípios, máximas, normas contrárias à doutrina da Igreja.

O católico apóstata tem qualquer coisa de análogo ao sacerdote apóstata. Arrasta consigo os restos de sua grandeza, profana-os, degrada-os e se degrada com eles. Mas não os perde.

E nós? Importamo-nos com isto? Sofremos com isto? Rezamos para que estas almas se convertam? Fazemos penitências? Fazemos apostolado? Onde nosso conselho? Onde nossa argumentação? Onde nossa caridade? Onde nossa altiva e enérgica defesa das verdades que eles negam ou injuriam?

O Sagrado Coração sangra com isto. Sangra pela apostasia deles, e por nossa indiferença. Indiferença duplamente censurável, porque é indiferença para com nosso próximo, e sobretudo indiferença para com Deus.




(Texto extraído de Catolicismo)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Professores querem fim da anarquia nas escolas brasileiras

Segundo a última pesquisa Pnad da ONU, o analfabetismo no Brasil está pior que na Bolívia.

Outra pesquisa feita no Brasil pela Organização dos Estados Iberoamericanos mostrou que 83% dos professores desejam o retorno da disciplina nas escolas. 67,4% deles defenderam a expulsão de alunos.

“Somos agredidos verbalmente pelos alunos diariamente”, disse Ricardo Pinto, professor de história em São Paulo.

O presidente da CNTE (confederação dos profissionais da educação), Roberto Franklin de Leão, diz: “estamos abandonados pelo Estado, sem condições adequadas de trabalho”.

“Não há limites para nada. A expulsão é necessária em alguns casos”, acrescentou o pesquisador da Universidade de Brasília, Wanderley Codo.

Nesse ambiente de “Revolução cultural” permanente introduzido pelas esquerdas o analfabetismo não acabará, e a anarquia e a ignorância farão mais estragos nas crianças.

(Extraído do blog Valores Inegociáveis)

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Quem nunca ouviu a voz da consciência :: parte 2

Em recente artigo, consideramos a consciência como a voz de Deus que comunica alegria ou tristeza às almas conforme suas ações boas ou más. (veja a parte 1 desta matéria)

Avaliamos ainda a consciência delicada e a embotada: a primeira foi comparada a uma balança de alta precisão, enquanto a segunda, a uma balança rústica e viciada.

Vale dizer que para as pessoas de consciência depravada os maiores pecados são permitidos, pois se encontram prenhes de maus hábitos e costumam afirmar que errar é próprio dos homens.

Habituadas às quedas, elas se tornam insensíveis à voz da consciência e suas respectivas censuras.

Transpondo a matéria ao campo social, podemos afirmar: se a opinião de um grupo social é sensível ao se manifestar diante de um pequeno alerta, tal grupo será composto de pessoas de consciências delicadas.

Caso contrário, ele não passará de uma massa que perdeu a noção de bem e de mal, inata no homem. É então que viceja uma geração de adúlteros e ladrões.

Através dos meios de comunicação, somos continuamente bombardeados com notícias escandalosas e crimes hediondos semelhantes a um “tsunami de lama”.

Se não formos sensíveis a esse contínuo apelo à relativização que nos assola, poderemos ser arrastados por tais avalanches.

Assim como as pessoas que passam a residir à margem de uma rodovia ou ferrovia acabam se habituando ao barulho, igualmente os espíritos de hoje vão se acostumando com toda sorte de perversidade e já não reagem diante de nada, pois não querem se comprometer por medo de represálias.

Torrentes de iniqüidades vão se avolumando ao nosso derredor. A cada instante, sem que nada se lhes oponha, atualmente os homens ofendem gravemente a Deus e, ao mesmo tempo, colocam em risco os próprios justos, ameaçados e perseguidos que são por amor à justiça divina.

E muitos legisladores, com determinação e persistência próprias a consciências inescrupulosas, vão gerando leis iníquas, enquanto a sociedade vai sendo subvertida e sucumbindo diante da enxurrada de lama do imenso tsunami psicológico revolucionário que parece não conhecer limites.

Medite, leitor, as palavras bradadas há 300 anos pelo grande missionário mariano São Luís Maria Grignion de Montfort: “Vossa divina fé é transgredida; vosso Evangelho desprezado; abandonada vossa Religião; torrentes de iniqüidade inundam toda a Terra e arrastam até os vossos servos; a Terra toda está desolada; a impiedade está sobre um trono; vosso santuário é profanado e a abominação entrou até no lugar santo”.

“E assim deixareis tudo ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças?

Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra? Calar-Vos-ei sempre? Não cumpre que seja feita Vossa vontade assim na Terra como no Céu, e que a nós venha o Vosso reino?”

Padre David Francisquini - Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria (Cardoso Moreira – RJ)

(Extraído de Agência Boa Imprensa)

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sábado, 9 de agosto de 2008

Quem nunca ouviu a voz da consciência?


Os bons formadores de opinião devem conhecer o mecanismo psicológico das paixões humanas, pois isso lhes facilitará o trabalho de persuasão de seu público alvo. Com efeito, há um fenômeno no panorama político-social, à primeira vista difícil de explicar para quem não tenha determinados pressupostos para elucidá-lo.

O que normalmente se passa na consciência individual pode-se aplicar à consciência geral. A consciência é como um sismógrafo capaz de acusar se uma ação é ou não permitida, pois a razão nos revela o conhecimento da lei e do dever.

Exatamente como atividade da inteligência, a consciência pode ser conceituada como a noção do dever.

Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, chama de consciência a voz de Deus que se manifesta como legisladora e como juíza, pois a noção do dever é a consciência.
É ela, portanto, atividade da inteligência que impele a vontade para o bem, e, ao mesmo tempo, a retém diante do mal.

Antes da ação, a consciência adverte a alma e lhe dá ânimo. Depois da ação, tranqüilidade ou perturbação, conforme a ação tenha sido boa ou má.

A boa consciência confere alegria interior, bem estar e expulsa as tristezas malignas. Não sem razão o povo consagrou o adágio de que o melhor travesseiro é a consciência tranqüila.

Como uma luz que ilumina e dissipa as trevas interiores, transmitindo alegria de viver, a consciência tranqüila é o reflexo da voz de Deus na alma.

É um ósculo de paz no íntimo de nossos corações e que nos transmite a verdadeira paz. Ao contrário, a consciência pesada envenena as alegrias e priva o homem do prazer espiritual.

A consciência pesada, motivada pelos remorsos, chega a se manifestar no olhar, nos gestos e nas atitudes das pessoas, tornando-as ácidas, intolerantes, caprichosas e agitadas.

Quando a alma se encontra nesse estado, ela erradamente, à procura de alívio, costuma se lançar nos prazeres da carne, da cobiça e da vaidade
.

O homem pode ter consciência delicada ou embotada. Uma acusa as mínimas faltas. A outra, apenas as maiores. A primeira seria como uma balança de precisão de uma ourivesaria, pois revela a mínima poeira sobre um de seus pratos. A consciência embotada apresenta-se como a balança romana que, para se inclinar, precisa de muito peso.

Essa última é o símbolo das pessoas que não levam em conta as Leis de Deus e da Igreja.

A elas chamamos “mundanas”, pois tendo consciências embotadas percebem apenas os pecados mortais manifestos, e que pelo mecanismo das paixões humanas, caminharão inexoravelmente para o relaxamento total à procura de justificação de seus erros.

Pe. David Francisquini - Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria (Cardoso Moreira – RJ)

(Extraído de Agência Boa Imprensa)

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Betancourt atribui sua libertação a Milagre de Jesus

PARIS (ANSA) - A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Ingrid Betancourt, disse que a sua libertação na quarta-feira passada é "um milagre", resultado de orações "feitas a Jesus, e que foram ouvidas".

A franco-colombiana fez essa declaração à publicação cristã francesa Le Pelerin, depois de assisitir a uma missa na Basílica do Sagrado Coração, em Paris.

"Em 1º de junho, estava ouvindo a Rádio Católica Mundial, e ela dizia que aquele era o mês em que se celebra o Sagrado Coração.

A última vez em que vi meu pai, um dia antes de ser capturada, estava sentada no seu quarto, justamente embaixo de uma imagem do Sagrado Coração, e ele pediu que Jesus olhasse por mim", disse Betancourt.

"Dessa maneira, quando percebi que a rádio falava do Sagrado Coração, abri mais os meus ouvidos e pedi a Nosso Senhor que me revelasse naquele mês a data da minha libertação.

Em 27 de junho, um guerrilheiro entrou no acampamento e ordenou que nós arrumássemos as nossas coisas, porque talvez um de nós poderia ser libertado", continuou Betancourt, que foi resgatada pelo exército colombiano ao lado de outros 14 reféns.

As coisas aconteceram de outra maneira, "mas Jesus manteve a sua palavra. Estou vivendo um milagre", desabafou. (ANSA)

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quarta-feira, 14 de maio de 2008

O pecado, a pior das escravidões

Era domingo pela manhã. Os apóstolos se encontravam reunidos no Cenáculo em companhia da Santíssima Virgem Maria.

De repente, um estrondo vindo dos céus, seguido de vento impetuoso, enche toda a casa e anuncia um prodígio de repercussão transcendente.

Línguas de fogo vieram pousar sobre a cabeça de cada um deles. Tal fenômeno deu-se 50 dias após a Ressurreição de Cristo e 10 dias depois de sua Ascensão.

O vento forte simboliza o Divino Espírito Santo comunicando aos Apóstolos o fortalecimento de suas vontades. As línguas de fogo, o dom da palavra que os ajudaria na sua trajetória pelas nações, anunciando as verdades eternas, de modo a permitir que todos os povos entendessem as maravilhas de Deus.

Compreende-se assim que uma multidão proveniente de todas as partes se reunisse em torno do Cenáculo. A antítese de Pentecostes teria sido a Torre de Babel, quando Deus confundiu os intentos dos maus pela confusão das línguas, fazendo com que de um momento para o outro deixassem de se entender e se dispersassem.

No Monte Sinai como no Monte Sião, um fogo celeste aparece e um rumor violento se faz ouvir no dia de Pentecostes. Num como noutro, a vontade de Deus se manifesta.

Com o povo hebreu, no 50º dia depois de sua libertação do Egito. Na Judéia, no 50º dia após a Ressurreição, para libertar os homens da pior escravidão, a escravidão do pecado.

Pentecostes foi o dia em que a Igreja iniciou sua expansão pela Terra, que São Pedro pregou para três mil pessoas que receberam o Batismo:

[...] “Homens judeus, e vós todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto conhecido e com ouvidos atentos ouvi as minhas palavras”. [...] Jesus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas”.

Os Apóstolos foram os escolhidos do Divino Mestre. Eram pessoas simples da Galiléia, mas com tal vigor de personalidade que se destacavam entre o povo eleito decadente.

Apesar do convívio de três anos com o Filho de Deus, eles entretanto se mostravam sem forças para enfrentar o mundo pagão com seus vícios e crueldades, idolatrias e superstições. O mundo dominado por Roma jazia em profunda treva na qual reinava o pecado.

O Divino Espírito Santo veio abrir a inteligência dos Apóstolos, fortalecer-lhes firmemente a vontade e temperar-lhes a sensibilidade para que assim pudessem levar a Boa Nova do Evangelho a todas as nações e a todos os povos. (Clique aqui para propagar a devoção do Sagrado Coração de Jesus)

Desde Pentecostes, depois de ter presidido à fundação da Igreja, o Espírito Santo cumpre a missão de conduzi-La, assisti-La e dirigi-La, de tal forma que as portas do inferno não prevaleceram e jamais prevalecerão contra Ela.

Sejamos filhos da Igreja, devotos de Maria Santíssima, templos do Espírito Santo. Assim obteremos paz para nossas almas, proteção para nossos corpos e, por fim, alcançaremos o Céu.

Por Pe. David Francisquini, Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria (Cardoso Moreira –– RJ)

(Do blog Agência Boa Imprensa)


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domingo, 23 de março de 2008

Tríduo Pascal - Domingo de Páscoa

O Domingo de Páscoa, ou a Vigília Pascal, é o dia em que até mesmo a mais pobre igreja se reveste com seus melhores ornamentos, é o ápice do ano litúrgico. É o aniversário do triunfo de Cristo.

É a feliz conclusão do drama da Paixão e a alegria imensa depois da dor. E uma dor e alegria que se fundem pois se referem na história ao acontecimento mais importante da humanidade: a redenção e libertação do pecado da humanidade pelo Filho de Deus.

São Paulo nos diz : "Aquele que ressuscitou Jesus Cristo devolverá a vida a nossos corpos mortais". Não se pode compreender nem explicar a grandeza da Páscoa cristã sem evocar a Páscoa Judaica, que Israel festejava, e que os judeus ainda festejam, como festejaram os hebreus há três mil anos.

O próprio Cristo celebrou a Páscoa todos os anos durante a sua vida terrena, segundo o ritual em vigor entre o povo de Deus, até o último ano de sua vida, em cuja Páscoa aconteceu na ceia e na istituição da Eucaristia.

Cristo, ao celebrar a Páscoa na Ceia, deu à comemoração tradicional da libertação do povo judeu um sentido novo e muito mais amplo. Não é um povo, uma nação isolada que Ele liberta, mas o mundo inteiro, a quem prepara para o Reino dos Céus.

A Páscoa cristã - cheia de profunda simbologia - celebra a proteção que Cristo não cessou nem cessará de dispensar à Igreja até que Ele abra as portas da Jerusalém celestial.

A festa da Páscoa é, antes de tudo, a representação do acontecimento chave da humanidade, a Ressurreição de Jesus depois de sua morte consentida por Ele para o resgate e a reabilitação do homem caído. Este acontecimento é um dado histórico inegável.

Além de que todos os evangelistas fizeram referência. São Paulo confirma como o historiador que se apoia, não somente em provas, mas em testemunhos.

Páscoa é vitória, é o homem chamado a sua maior dignidade. Como não se alegrar pela vitória d'Aquele que tão injustamente foi condenado à paixão mais terrível e à morte de cruz?, pela vitória d'Aquele que anteriormente foi flagelado, esbofeteado, cuspido, com tanta desumana crueldade.

Este é o dia da esperança universal, o dia em que em torno ao ressuscitado, unem-se e se associam todos os sofrimentos humanos, as desolusões, as humilhações, as cruzes, a dignidade humana violada, a vida humana respeitada.

A Ressurreição nos revela a nossa vocação cristã e nossa missão: aproximá-la a todos os homens. O homem não pode perder jamais a esperança na vitória do bem sobre o mal.

Creio na Ressurreição?, a proclamo?; creio em minha vocação e missão cristã, a vivo?; creio na ressurreição futura? , é alento para esta vida?, são perguntas que devem ser feitas.

A mensagem redentora da Páscoa não é outra coisa que a purificação total do homem, a libertação de seus egoísmos, de sua sensualidade, de seus complexos, purificação que, ainda que implique em uma fase de limpeza e saneamento interior, contudo se realiza de maneira positiva com dons de plenitude, com a iluminação do Espírito, a vitalização do ser por uma vida nova, que transborda alegria e paz - soma de todos os bens messiânicos-, em uma palavra, a presença do Senhor ressuscitado.

São Paulo o expressou com incontida emoção neste texto: " Se ressuscitastes com Cristo, então vos manifestareis gloriosos com Ele".

(extraído de ACI Digital)


sábado, 22 de março de 2008

Tríduo Pascal - O Sábado Santo

"Durante o Sábado santo a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando na oração e no jejum sua ressurreição (Circ 73).

No dia do silêncio: a comunidade cristã vela junto ao sepulcro. Calam os sinos e os instrumentos. É ensaiado o aleluia, mas em voz baixa. É o dia para aprofundar. Para contemplar. O altar está despojado. O sacrário aberto e vazio.

A Cruz continua entronizada desde o dia anterior. Central, iluminada, com um pano vermelho com o louro da vitória. Deus morreu. Quis vencer com sua própria dor o mal da humanidade. É o dia da ausência. O Esposo nos foi arrebatado. Dia de dor, de repouso, de esperança, de solidão. O próprio Cristo está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de seu último grito da cruz "por que me abandonaste?", agora ele cala no sepulcro. Descansa: "consummantum est", "tudo está consumado". Mas este silêncio pode ser chamado de plenitude da palavra. O assombro é eloqüente. "Fulget crucis mysterium", "resplandece o mistério da Cruz".

O Sábado é o dia em que experimentamos o vazio. Se a fé, ungida de esperança, não visse no horizonte último desta realidade, cairíamos no desalento: "nós o experimentávamos… ", diziam os discípulos de Emaús.

É um dia de meditação e silêncio. Algo pareceido à cena que nos descreve o livro de Jó, quando os amigos que foram visitá-lo, ao ver o seu estado, ficaram mudos, atônitos frente à sua imensa dor: "Sentaram-se no chão ao lado dele, sete dias e sete noites, sem dizer-lhe uma palavra, vendo como era atroz seu sofrimento" (Jó. 2, 13).

Ou seja, não é um dia vazio em que "não acontece nada". Nem uma duplicação da Sexta-feira. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo em que pode ir uma pessoa. E junto a Ele, como sua Mãe Maria, está a Igreja, a esposa. Calada, como ele. O Sábado está no próprio coração do Tríduo Pascal. Entre a morte da Sexta-feira e a ressurreição do Domingo nos detemos no sepulcro. Um dia ponte, mas com personalidade. São três aspectos -não tanto momentos cronológicos- de um mesmo e único mistério, o mesmo da Páscoa de Jesus: morto, sepultado, ressuscitado:

"...se despojou de sua posição e tomou a condição de escravo…se rebaixou até se submeter inclusive à morte, quer dizer, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que Ele expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo em que Cristo depositado na tumba manifesta o grande repouso sabático de Deus depois de realizar a salvação dos homens, que estabelece na paz o universo inteiro".

(extraído de ACI Digital)


sexta-feira, 21 de março de 2008

Tríduo Pascal - A Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta
o drama imenso da morte de Cristo no Calvário.






A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João comtemplamos o mistério do crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a comtemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto.

A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloqüente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia.

Jesus é Rei.
O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte.

É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus.

E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus.

Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe.

São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico.

Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação.

O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

(fonte: ACI Digital)


quinta-feira, 20 de março de 2008

O Tríduo Pascal

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação.

Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente.
O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa.

É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário: "Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico".

Logo estabelece a duração exata do tríduo: "O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa".

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição.

No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".

É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação.

O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré".

Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como
"os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados.

Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo.

As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".


Pensamentos para o tríduo.

A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras.

Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".

Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).

A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.

O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor.

O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.

Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus.

É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.






quarta-feira, 19 de março de 2008

Quarta-feira Santa - A traição de Judas




No início, Judas seguia Jesus com retidão.

Havia na sua alma, como na dos outros Apóstolos, ambições humanas alheias à missão de Cristo e interesses pessoais mesquinhos, mas estavam num segundo plano; o que importava acima de tudo era colaborar com o Senhor.

No entanto, com o passar do tempo, essa situação foi-se invertendo: as ambições pessoais de Judas, não devidamente subjugadas à medida que ‘erguiam a cabeça', foram pouco a pouco ganhando terreno até que, em dado momento, o Apóstolo percebeu com nitidez que a proposta de Jesus não se coadunava em absoluto com elas.

Então, em lugar de retificá-las, preferiu mantê-las e colocá-las em primeiro lugar na sua vida.

A partir daí foi-se desenvolvendo em sua alma um processo de infecção generalizada pelo câncer de um tremendo egoísmo. Seu coração foi-se endurecendo e distanciando aceleradamente de Cristo. A sua consciência foi-se embotando.

Perdida a confiança em Jesus, passou a olhá-lo com olhos cada vez mais críticos, até chegar, após sucessivas decepções, a odiar Aquele a quem tanto admirara. Finalmente veio a traição vil.

Durante todo o tempo em que a alma de Judas se ia enchendo de trevas, Jesus não deixou de estimá-lo muito e de tentar ajudá-lo. Deu-lhe muitas oportunidades de arrepender-se do seu egoísmo.

Comenta São Tomás Morus que o Senhor não o arrojou da sua companhia. Não lhe tirou a dignidade que tinha como Apóstolo. Nem lhe tirou a bolsa, e isso apesar de ser ladrão. Admitiu-o na última Ceia com os demais Apóstolos.

Não hesitou em ajoelhar-se e lavar com as suas inocentes e sacrossantas Mãos os pés sujos do traidor, símbolo da sujidade de sua mente [...] Finalmente, no instante supremo da traição, recebeu e retribuiu o beijo de Judas com serenidade e com mansidão.

(fonte: Lepanto)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Quaresma: a coragem da fidelidade


Será bem exato que, para conservar a Fé, evitamos tudo que a pode pôr em risco? Evitamos as leituras que a podem ofender?

Evitamos as companhias nas quais ela está exposta a risco?

Procuramos os ambientes nos quais a Fé floresce e cria raízes?

Ou, em troca de prazeres mundanos e passageiros, vivemos em ambientes em que a Fé se estiola e ameaça cair em ruínas?

Todo homem, pelo próprio fato do instinto de sociabilidade, tende a aceitar as opiniões dos outros. Em geral, hoje em dia, as opiniões dominantes são anticristãs.

Pensa-se contrariamente à Igreja em matéria de Filosofia, de Sociologia, de História, de Ciências, de arte, de tudo enfim. Os nossos amigos seguem a corrente.

Temos nós a coragem de divergir? Resguardamos nosso espírito de qualquer infiltração de idéias erradas? Pensamos com a Igreja em tudo e por tudo?

Ou contentamo-nos negligentemente em ir vivendo, aceitando tudo quanto o espírito do século nos inculca, e simplesmente porque ele no-lo inculca?


É possível que não tenhamos enxotado Nosso Senhor de nossa alma. Mas como tratamos este Divino Hóspede?

É Ele o objeto de todas as atenções, o centro de nossa vida intelectual, moral e afetiva? É Ele o Rei? Ou, simplesmente, há para Ele um pequeno espaço onde se O tolera, como hóspede secundário, desinteressante, algum tanto importuno?

Quando o Divino Mestre gemeu, chorou, suou sangue durante a Paixão, não O atormentavam apenas as dores físicas, nem sequer os sofrimentos ocasionados pelo ódio dos que no momento O perseguiam. Atormentava-O ainda tudo quanto contra Ele e a Igreja faríamos nos séculos vindouros.

Ele chorou pelo ódio de todos os maus, de todos os Arios, Nestórios, Luteros, mas chorou também porque via diante de si o cortejo interminável das almas tíbias, das almas indiferentes que, sem O perseguir, não O amavam como deviam.

É a falange incontável dos que passaram a vida sem ódio e sem amor. Segundo Dante, estes ficavam de fora do inferno, porque nem no inferno havia para eles lugar adequado.

Estamos nós neste cortejo? Eis a grande pergunta a que, com a graça de Deus, devemos dar resposta nos dias de recolhimento, de piedade e de expiação que a nossa Semana Santa deve ser.

(Texto extraído de Catolicismo)
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Leia outras matérias para meditar durante a Quaresma.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Quaresma: A verdadeira piedade

A verdadeira piedade deve impregnar toda a alma humana e, portanto, também deve despertar e estimular a emoção.

Mas a piedade não é só emoção, e nem mesmo é principalmente emoção.

A piedade brota da inteligência, seriamente formada por um estudo catequético cuidadoso, por um conhecimento exato de nossa Fé, e, portanto, das verdades que devem reger nossa vida interior. A piedade reside ainda na vontade. Devemos querer seriamente o bem que conhecemos. Não nos basta, por exemplo, saber que Deus é perfeito.

Precisamos amar a perfeição de Deus e, portanto, devemos desejar para nós algo dessa perfeição: é o anseio para a santidade. "Desejar" não significa apenas sentir veleidades vagas e estéreis. Só queremos seriamente algo, quando estamos dispostos a todos os sacrifícios para conseguir o que queremos.

Assim, só queremos seriamente nossa santificação e o amor de Deus, quando estamos dispostos a todos os sacrifícios para alcançar esta meta suprema. Sem esta disposição, todo o "querer" não é senão ilusão e mentira.

Podemos ter a maior ternura na contemplação das verdades e mistérios da Religião, mas se daí não tirarmos resoluções sérias, eficazes, de nada valerá nossa piedade.

É o que se deve dizer especialmente nos dias da Paixão de Nosso Senhor. Não nos adianta apenas o acompanhar com ternura os vários episódios da Paixão: isto seria excelente, não porém suficiente.

Devemos dar a Nosso Senhor, nestes dias,
provas sinceras de nossa devoção e amor.

Estas provas, nós as damos pelo propósito de emendar nossa vida, e de lutar com todas as forças pela Santa Igreja Católica.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Quando Nosso Senhor interpelou São Paulo, no caminho de Damasco, perguntou-lhe:
"Saulo, Saulo, por que me persegues?". Saulo perseguia a Igreja, e Nosso Senhor lhe disse que era a Ele mesmo que Saulo perseguia.

Se perseguir a Igreja é perseguir a Jesus Cristo, e se hoje também a Igreja é perseguida, hoje Cristo é perseguido. A Paixão de Cristo se repete de algum modo também em nossos dias.

Como se persegue a Igreja?

Atentando contra os seus direitos ou trabalhando para dEla afastar as almas. Todo ato pelo qual se afasta da Igreja uma alma, é um ato de perseguição a Cristo.

Toda alma é, na Igreja, um membro vivo. Arrancar uma alma à Igreja é arrancar um membro ao Corpo Místico de Cristo. Arrancar uma alma à Igreja é fazer a Nosso Senhor, em certo sentido, o mesmo que a nós nos fariam se nos arrancassem os olhos.

Se queremos, pois, condoer-nos com a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, meditemos sobre o que Ele sofreu na mão dos judeus, mas não nos esqueçamos de tudo quanto ainda hoje se faz para ferir o Divino Coração.

E isto tanto mais quanto Nosso Senhor, durante sua Paixão, previu tudo quanto se passaria depois. Previu, pois, todos os pecados de todos os tempos, e também os pecados de nossos dias.

Ele previu os nossos pecados, e por eles sofreu antecipadamente. Estivemos presentes no Horto como algozes, e como algozes seguimos passo a passo a Paixão até o alto do Gólgota. Arrependamo-nos, pois, e choremos.


(Texto extraído de Catolicismo)

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Leia também sobre este mesmo tema: Quaresma: tibieza dos que tem fé

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Quaresma: Tibieza dos que têm fé

Tibieza dos que têm Fé

E entre nós? Esta Fé que tantos combatem, perseguem, atraiçoam, graças a Deus nós a possuímos.

Que uso fazemos dela? Amamo-la? Compreendemos que nossa maior ventura na vida consiste em sermos membros da Santa Igreja, que nossa maior glória é o título de cristão?

Em caso afirmativo -- e quão raros são os que poderiam, em sã consciência, responder afirmativamente -- estamos dispostos a todos os sacrifícios para conservar a Fé?

Não digamos, num assomo de romantismo, que sim. Sejamos positivos. Vejamos friamente os fatos.

Não está junto de nós o algoz que nos vai colocar na alternativa da cruz ou da apostasia, mas todos os dias a conservação da Fé exige de nós sacrifícios. Fazemo-los?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Para meditar durante a Quaresma: Agonia no Horto e previsão do sofrimento (parte 1 de 6)


Diz o Evangelho que a natureza humana de Nosso Senhor Jesus Cristo "entrou em agonia" (Lc 22,43).

O que é compreensível, porque a natureza humana de Jesus, sendo perfeitíssima, era dotada, do modo mais perfeito, de todos os instintos do homem. E, portanto, possuía do modo mais perfeito também o instinto de conservação. Ele sentia o instinto de conservação gravemente contundido pela ameaça que se aproximava.

Então, o que Ele fez? Para se preparar, Nosso Senhor considerou aquilo tudo de frente. Para que não tivesse, além do mais, o peso da surpresa em sua natureza humana. E com o peso da surpresa, os sustos, os medos etc.

Ele tomaria a dor inteira e a aceitaria. Por assim dizer, colocaria sua alma na altura da dor que vinha, como um guerreiro que, antes de entrar no campo de batalha, mede todos os riscos, resolve enfrentá-los e entra no campo de batalha com isso no interior de sua alma.

Tal atitude é propriamente a do católico que se prepara para o sofrimento. Evita fechar os olhos para o que vem, evita ser colhido pela surpresa. Tanto quanto possível, prevê, e prevê coisas desagradáveis. Eis aí o esquema da preparação perfeita, e que encerra o desfecho da preparação.

(Texto extraído de Catolicismo)
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Outras matérias apropriadas para meditação durante a Quaresma, veja aqui.