quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Visibilidade, hierarquia e simbolismo da igreja

As igrejas e catedrais medievais foram construídas nos locais de máxima relevância. Isso lhes conferia um ar triunfante e glorioso.

Mas essa não era a única finalidade, nem a mais importante até. Elas visavam obedecer os conselhos evangêlicos.

Para os construtores de igrejas, diz o arquiteto americano Michel Rose, as palavras de Cristo são normativas.

E o Divino Mestre ensinou no Sermão das Bem-aventuranças: “Não pode se esconder uma cidade que está situada sobre um monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 14-15).

Por isso, a igreja não pode ficar dissimulada ou escondida. A igreja tem que sobressair no panorama.

Esse destaque deve ser audível também. Os sinos lembram a presença de Nosso Senhor na Terra, convocam à oração, marcam os acontecimentos transcendentais da vida e espantam os demônios.

Porque é sagrada, a igreja tem uma superioridade natural sobre os prédios profanos que a circundam.

O bom encaixe estético e hierárquico foi bem alcançado com uma transição harmônica. Onde possível, uma praça ou um largo, que pertencem à esfera temporal, faz o primeiro espaço de transição.

Logo vem o átrio, pátio aberto que lembra o átrio do Templo de Salomão, e que pertence à igreja e nos prepara para entrar nela.

Fonte: Blog "Glória da Idade Média"

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