terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A verdadeira devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo e a autêntica interpretação da Biblia Sagrada - IV

Parte I
Parte II
Parte III

Continuação do esclarecimento ao fiel católico a respeito dos erros de interpretação da Bíblia e da Verdadeira Devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo.


3ª Objeção — O sacramento da Confissão é uma invenção dos católicos. Jesus nunca mandou confessar os pecados a outra pessoa. Basta professarmos nossa fé diante de Deus, e Ele cobrirá nossos pecados com os méritos infinitos de Jesus Cristo. O padre não tem nenhuma interferência nesse processo, e a confissão dos pecados é inútil.

Resposta — Os protestantes consideram inútil o sacramento da Confissão, porque têm uma ideia completamente errada da remissão dos pecados.

Eles consideram que, se Jesus Cristo já pagou de uma vez por todas os nossos pecados, a aplicação a nós desses méritos infinitos se dá exclusivamente por nossa adesão à Fé, mais precisamente pelo dom gratuito da fé que recebemos.

Mas, segundo eles, não há verdadeira remissão — isto é, apagamento ou limpeza de nossa alma — desses pecados. Nossa justificação perante Deus se dá apenas porque Jesus Cristo nos cobre com o manto de seus méritos. Por baixo desse manto, continuamos os pecadores de sempre, imundos por efeito de nossos pecados.

Porém, vendo-nos Deus cobertos pelo manto de seu Divino Filho, Ele nos considera justificados, “não vê” os nossos pecados, que permanecem indeléveis sob esse manto, e nos acolhe na vida eterna do Céu. É por essa mesma razão que os protestantes não vêem necessidade do Purgatório (ver objeção nº 4): não há nada a purgar depois da morte, porque tudo já foi antecipadamente pago por Cristo.

A única condição é a demonstração de nossa fé, a qual, esta sim, não pode vacilar. Tem que ser inteiramente firme. A tal ponto que, se por causa de nossos pecados começarmos a duvidar de nossa salvação eterna, isso indica uma vacilação de nossa fé nos merecimentos de Jesus Cristo e pode por tudo a perder.

Neste caso, o remédio que Lutero recomendava a seus seguidores era pecar novamente, para demonstrar a confiança em Cristo. E se a dúvida persistisse — insistia ele — “peca ainda mais fortemente”, para mostrar a firmeza de sua fé em Cristo! Como se vê, toda esta doutrina é uma loucura do começo ao fim.

De acordo com a doutrina católica, o perdão de nossos pecados começa com nosso arrependimento, que de si já é um fruto da graça de Deus atuando em nós. Mas o arrependimento normalmente não basta para obtermos o perdão: é preciso nos acusarmos de nossos pecados perante o ministro de Deus — o sacerdote — e pedirmos que ele, em nome de Deus, nos perdoe.

Aí sim, o padre, munido do poder — dado a ele por Cristo — de perdoar os pecados, nos perdoa efetivamente em nome de Cristo, aplicando-nos os méritos infinitos do Filho de Deus feito homem. Então nossa alma fica realmente limpa de seus pecados e alva como a neve, diante de Deus e dos homens.

É essa limpeza de alma que explica a alegria e leveza com que tantas vezes nos levantamos do confessionário, após recebermos a absolvição do sacerdote.

Em que ocasião Jesus Cristo conferiu aos seus ministros esse poder de perdoar os pecados? Foi pouco antes de subir aos Céus, quando disse aos Apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. E tendo dito isto, soprou sobre eles, dizendo-lhes: 'recebei o Espírito Santo: aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos'”, (Jo 20, 21-23).

Ora, para que o sacerdote exerça esse poder de perdoar, ou de reter os pecados — segundo o mandato de Cristo —, é preciso que o pecador confesse ao sacerdote as suas culpas, nomeando-as de forma circunstanciada, a fim de que o sacerdote as julgue, as perdoe, se for o caso, e estipule a penitência que o pecador deve cumprir.

A contrição perfeita — isto é, aquele arrependimento de nossos pecados por exclusivo amor de Deus, e não pelo temor das penas do inferno —nos obtém de imediato o perdão dos pecados. Mas permanece a obrigação de confessá-los ao sacerdote na primeira oportunidade e, em todo caso, antes de receber qualquer outro Sacramento.

Extraído do Livreto: "A verdadeira devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo e a autêntica interpretação da Biblia Sagrada".

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