segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A verdadeira devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo e a autêntica interpretação da Biblia Sagrada - III

Clique aqui para ler a parte I
Clique aqui para ler a parte II

Continuação do esclarecimento ao fiel católico a respeito dos erros de interpretação da Bíblia e da Verdadeira Devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo.


2ª ObjeçãoNosso único mediador junto a Deus é Jesus Cristo, como afirma eremptoriamente o apóstolo Paulo (cfr. I Tim 2, 5). Não temos Necessidade de outros mediadores. Os católicos erram ao proclamarem Maria medianeira entre Deus e os homens.

Resposta — É certo que São Paulo afirmou, em sua primeira Epístola a Timóteo (2, 5), que “há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem”. Mas esse mediador único e insubstituível não exclui que possa haver outros mediadores secundários, pois o próprio Apóstolo dos Gentios é o primeiro a pedir a intercessão de outros junto a Deus.

Assim, diz ele em sua Epístola aos Romanos: “Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rom 15, 30). E na segunda Epístola aos Coríntios, diz que espera que Deus o livre de futuros grandes perigos, “se nos ajudardes também vós com orações em nossa intenção” (II Cor 1, 11).

Se simples fiéis podem interceder por nós, exercendo assim o papel de mediadores nossos junto a Deus, quanto mais aqueles que praticaram as virtudes em grau heróico, como são os Santos — que os protestantes rejeitam —, e, sobretudo, Aquela que teve a dita de ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, e é, por isso, igualmente Mãe dos membros de seu Corpo Místico, que é
a Igreja.

Os católicos estão, pois, certos em recorrer a Maria Santíssima como nossa grande Medianeira junto a seu Divino Filho. E essa mediação não é apenas possível, mas necessária, como ensinam grandes doutores da Igreja.

Não se trata de uma necessidade absoluta, e sim hipotética, de acordo com a terminologia dos teólogos. Isto é, necessária, porque Deus quis que assim fosse, e não porque estivesse obrigado a isso.

Explica-o com sua habitual clareza e calor apostólico São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor mariano, em seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (Vozes, Petrópolis, 4ª edição, 1949):

“Confesso com toda a Igreja que Maria é uma pura criatura saída das mãos do Altíssimo. Comparada, portanto, à Majestade infinita ela é menos que um átomo, é, antes, um nada, pois só Ele é 'Aquele que é' (cfr. Ex 3, 14) e, por conseguinte, este grande Senhor, sempre independente e bastando-se a Si mesmo, não tem, nem teve jamais necessidade da Santíssima Virgem para a
realização de suas vontades e a manifestação de sua glória. Basta-lhe querer
para tudo fazer.

Digo, entretanto, que, supostas as coisas como são, já que Deus quis começar e acabar suas maiores obras por meio da Santíssima Virgem, depois que a formou, é de crer que não mudará de conduta nos séculos dos séculos, pois é Deus imutável em sua conduta e em seus entimentos”, (op. cit., nºs 14-15).

E mais adiante ele se põe a pergunta: “Nosso Senhor é nosso advogado e medianeiro de redenção junto de Deus Pai; (...) é por intermédio dele que obtemos acesso junto de Sua Majestade, em cuja presença não devemos jamais aparecer, a não ser amparados e revestidos dos méritos de Jesus Cristo.(...) Mas temos necessidade de um medianeiro junto do próprio medianeiro? (...) Digamos (...), ousadamente, com São Bernardo, que temos necessidade de um medianeiro junto do Medianeiro por excelência, e que Maria Santíssima é a única capaz de exercer esta função admirável.

Por ela Jesus Cristo veio a nós, e por ela devemos ir a ele. (...) Ela não é o Sol, que pela força de seus raios nos poderia deslumbrar em nossa fraqueza, mas é bela e suave como a lua (cfr. Cant 6, 9), que recebe a luz do Sol e a tempera para que possamos suportá-la.

É tão caridosa que a ninguém repele, que implore a sua intercessão, ainda que seja pecador; pois, como dizem os santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, tenha sido desamparado ou repelido”, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, nºs 84-85).

Como se vê, ao exaltar a tal ponto a mediação de Nossa Senhora junto a seu Divino Filho, a doutrina da Igreja não diminui em absolutamente nada a Mediação única e insubstituível de Jesus Cristo junto ao Pai celeste.


Extraído do Livreto: "A verdadeira devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo e a autêntica interpretação da Biblia Sagrada".

Nenhum comentário: