terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Natal: cada vez que dele nos aproximamos, experimentamos por vezes a sensação paradoxal de que progressivamente dele nos distanciamos

A cada Natal de que nos aproximamos, experimentamos por vezes a sensação paradoxal de que progressivamente dele nos distanciamos ...

Isso porque, de algum tempo a esta parte, o espírito natalino vai desaparecendo do mundo moderno, imerso no culto das coisas materiais, enquanto a proclamação angélica “glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na Terra aos homens de boa vontade” vai se tornando um ideal cada vez mais etéreo.

Hoje, só o que importa para muita gente é desfrutar a paz a todo custo, ainda que em detrimento dos princípios mais sagrados: o dinheiro, de qualquer modo e ainda que este seja escuso; e a saúde acima de tudo, gerando cuidados como o do nível de colesterol, amiúde maiores que a preocupação com o destino eterno da própria alma.

Em suma, o conhecimento, o amor e o serviço de Deus, razão de nossa existência, foram substituídos por dois ídolos desta era de falsa paz: bios e mamon (saúde e dinheiro).

Infelizmente, levados consciente ou inconscientemente pelo multissecular processo revolucionário que corrói a Cristandade desde o século XV, a generalidade dos homens participa em grau maior ou menor desse estado de espírito.

O que os leva a vegetar na “austera, apagada e vil tristeza”, de que falava Camões, em vez de arremeter, como filhos de Deus, às alturas do firmamento, das coisas mais elevadas, do sobrenatural, da contemplação e da ação dele decorrentes. Tal é a principal razão do atoleiro moral em que se encontra a humanidade, do qual ela nem sequer tem meios de sair, se não levantar as vistas.

Por Paulo Corrêa de Brito

Fonte: Catolicismo

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