sexta-feira, 27 de novembro de 2009

São Juan Diego, vidente de Guadalupe, foi príncipe de sangue real? - parte III

Polêmica exigiu um trabalho científico especial

Esta biografia oficial exigiu um esforço especial porque algumas personalidades eclesiásticas negavam cruamente que o Santo tivesse existido.

Foram sumamente inverídicas as declarações do próprio abade da basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, Mons. Guillermo Schulenburg Prado. Em 24 de maio de 1996 ele defendeu que Juan Diego não existiu e que sua vida é mera lenda ou invenção popular.

Ecoaram essa opinião outros ativistas “progressistas” tendência que semeia confusão na Igreja, e contesta as devoções tradicionais aos santos, as procissões, a disciplina e os dogmas da Igreja.

A Santa Sé criou em 1998 uma comissão especial, dirigida pelo padre Fidel González Fernández, professor de História eclesiástica nas Universidades Urbaniana e Gregoriana ‒ trata-se de duas das máximas universidades eclesiásticas de Roma – para esclarecer o caso.

Assim a contestação deu margem a uma investigação muito mais aprofundada que reuniu uma formidável massa de provas e afastou toda dúvida.

Os opositores liderados pelo monsenhor Schulenburg escreveram à Santa Sé ainda uma carta de oposição a esses trabalhos históricos. Porém, não adiantou de nada.

S.S. João Paulo II assinou em 20 de dezembro de 2001, o decreto reconhecendo uma cura milagrosa atribuída à intercessão de Juan Diego e em 26 de fevereiro anunciou a canonização do príncipe indígena.

Na comissão investigadora participaram 30 especialistas de diversas nacionalidades. Eles reuniram grande variedade de fontes escritas, orais, arqueológicas, de origem indígena, espanhola ou mestiça.

Um dos especialistas, o Pe Fidel González, sublinhou a importância do códice em língua asteca “Nican Mopohua” que recolhe “de maneira literária mas também histórica” a intervenção de Nossa Senhora de Guadalupe. Trata-se da principal fonte documental indígena.

Mas há outras fontes que depõem no mesmo sentido como o “Inin Huey Tlamahuizoltica” (foto ao lado), o “mapa de Alva Ixtlixóchitl”, o “Inin Huey Tlamahulzoltzin”, o testamento de Francisco Verdugo, o “Códice Florentino”, o testemunho de Fernando de Alva, e o “Códice Escalada”, recentemente descoberto contendo um “atestado de óbito” do Santo príncipe.

Já os documentos espanhóis são mais numerosos e autorizados. O mais antigo é do segundo arcebispo de México, D. Alonso de Montúfar (1554-1573). Os Papas, desde Gregório XIII (1572-1583), concederam indulgências e privilégios à ermida.

A antropóloga Asunción García Samper, chefe de uma equipe do Instituto Nacional de Antropologia e Historia e do Centro de Estudos Guadalupanos, reconstituiu a árvore genealógica do santo até o ano 100 d.C., identificando 900 ancestrais do santo.

Leia a parte II
Leia a parte I



Fonte: Ciência Confirma a Igreja

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