segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Religiosos, fazeis falta à sociedade

Os votos de obediência, pobreza e castidade dos religiosos podem influenciar a fundo e de modo benéfico a sociedade civil - Por Cid Alencastro

Na sociedade humana, o comum dos homens deve casar-se, ter filhos, e assim cumprir o mandamento “crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a” (Gen. 1, 28). Em que pese a opinião contrária de certos ecologistas fanáticos, isso é assim.

Também deve o homem procurar melhorar suas condições de vida materiais, para sua felicidade, de sua esposa e filhos. Sempre de modo razoável, ordenado e sem frenesis, mas é bom que o faça.

As duas afirmações acima sempre fizeram parte da idéia de família bem constituída, que um católico deve ter. É o b-a-bá.

Obstáculos à normalidade

Entretanto, isto que poderíamos chamar de normalidade em matéria familiar encontra, ao longo da existência dos homens, diversos obstáculos para sua realização. Tratarei aqui de dois desses obstáculos que, por sua relevância, merecem ser citados à parte. E mostrarei também o modo genial como a Igreja soube apoiar a fraqueza dos fracos.

Esses obstáculos nascem da própria raiz de pecado que existe na natureza humana decaída. Refiro-me à sensualidade e à cobiça.

Pela sensualidade, a tendência tanto do homem quanto da mulher é de não se submeterem às leis santas do matrimônio, mas transbordarem para todo tipo de derivativos proibidos pela Lei de Deus. Daí nascem o adultério, o divórcio, o concubinato, o aborto e tudo o mais.

Pela cobiça, o desenvolvimento reto e temperante da fortuna pode transformar-se em ânsia de novos bens e de poder. Daí emergem os roubos, as rapinas, os negócios escusos, as traições e tantas outras formas de apego delirante ao dinheiro.

Remédio social

Para vencer essas más tendências, a Igreja nos põe à disposição não só remédios de índole individual, como a oração, a penitência, os sacramentos, mas Ela engendrou também um remédio insubstituível de índole social. Esse remédio consistiu na formação das ordens religiosas, com seus votos de pobreza, obediência e castidade.

De que forma os votos dos religiosos ajudam o casal a manter-se unido na fidelidade conjugal? E incentivam os homens, em geral, a não violar a honestidade em seus negócios?

É simples. Saber que homens e mulheres fizeram um sacrifício tão grande, que renunciaram não só ao ilícito (pecado contra a castidade), mas também ao lícito (união matrimonial), para se dedicarem a Deus, constitui um incentivo do maior peso para que casais do mundo todo sintam forças e brio para cumprirem as obrigações de seu estado, que exigem menos renúncia do que o dos religiosos. Em outros termos, se aqueles puderam o mais, por que não poderei eu o menos?

O mesmo se aplica à luta contra a ambição. Se alguns se obrigaram por voto a não ter propriedade de qualquer espécie e a se submeter em tudo à vontade de um superior, quem sou eu para não me manter dentro das vias da honestidade, do comedimento, usufruindo de modo temperante os bens que possuo e obedecendo razoavelmente a todo aquele que a algum título é meu superior (pai, professor, chefe de serviço, pessoa de maior consideração)?

Um apoio que cai

É claro que não se trata de reduzir as ordens religiosas à mera função de remédio das famílias. Elas têm outras finalidades muito altas. Mas essa, de ser apoio, elas a têm também e de modo insigne, sendo um de seus títulos de glória.

Isto tudo nos fornece alguns elementos para analisarmos a miséria moral dos dias que correm. A decadência notória de tantas ordens religiosas, o abandono dos votos, os escândalos que se multiplicam têm sua repercussão direta na sociedade civil.

E constitui um dos fatores do desmembramento das famílias e do progresso da imoralidade. Não como causa única, mas como falta de um apoio às famílias, da maior importância.

Fonte: Catolicismo

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