domingo, 18 de outubro de 2009

Santa Margarida Maria Alacoque - parte 3

Leia a Parte I
Leia a Parte II

Provações familiares

A sua família, de início, quis encaminha-la para um convento de Ursulinas onde já vivia uma prima. Santa Margarida Maria – que era muito afeiçoada a essa prima, deu-lhe uma resposta gentil em que transparece o seu grande desejo de perfeição: “Olha, se entro no teu convento será por amor a ti. Mas quero ir a um convento onde não tenha parentes nem conhecidos para ser religiosa só por amor a Deus.” (7)

Uma voz interior tinha-lhe advertido: “Não te desejo lá, mas em Santa Maria”, que era o nome do convento de Paray-le-Monial. (8)

Entretanto as pressões familiares para que optasse pelas Ursulinas continuavam. Mas uma doença da mãe e também de um irmão, forçaram-na a prolongar os seus planos de vida religiosa.

Numa certa altura, um sacerdote franciscano hospedou-se na casa dos Alacoque durante uma missão. Santa Margarida Maria aproveitou a ocasião para fazer uma confissão geral. Ao conhecer o alto grau de virtude e os desejos de vida religiosa da jovem, o padre julgou que devia seguir a sua vocação. O religioso falou com o irmão e convenceu-o a mudar de atitude. A prova em casa acabava. Outras cruzes, mais dolorosas, viriam no Convento da Visitação de Paray-le-Monial, aonde foi ter em seguimento de uma clara inspiração da Providência.

A nossa Santa foi ali aceita como noviça a 20 de Junho de 1671; vestiu o hábito a 25 de Agosto do mesmo ano e fez a profissão solene a 6 de Novembro de 1672. Assim ficava preparado o quadro para a mensagem do Sagrado Coração de Jesus.


A missão de Santa Margarida Maria Alacoque

Em 1647, quando nasceu Santa Margarida Maria, a devoção ao Sagrado Coração não era muito conhecida, se bem que já existia. A sua missão foi dar-lhe um impulso e uma difusão universal, precisar o seu espírito, adapta-lo às necessidades da Igreja nos tempos modernos e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias.

Santa Margarida Maria foi uma simples freira que nunca transpôs os muros do seu convento e morreu antes de completar 45 anos, em 1690. A Providência compraz-se deste modo em realizar um desígnio imenso a partir de uma humilde religiosa que, para fugir do mundo, tinha-se retirado a um obscuro convento da Ordem da Visitação e levou ali uma vida apagada aos olhos dos homens e até das freiras visitandinas com as quais convivia.

O quadro hoje é completamente diverso. Ornato da Ordem da Visitação, a religiosa então apagada foi elevada ao ápice de glória na Igreja e, do alto dos altares, da sua santidade despede raios de salvação à terra inteira, enquanto a maioria dos homens famosos e importantes da sua época são desconhecidos pelos nossos contemporâneos.

O Papa Pio XII, depois de fazer a lista dos Santos que a precederam na prática e difusão da devoção ao Coração de Jesus, diz a este propósito: “Mas entre todos os promotores desta excelsa devoção, merece um lugar especial Santa Margarida Maria Alacoque que, com a ajuda do seu diretor espiritual, o Beato Cláudio de la Colombière (hoje santo) e com o seu zelo ardente, obteve, não sem a admiração dos fiéis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã.” (9)


Notas:1. Bougaud, História de Santa Margarida Maria, citado em Péricles Capanema Ferreira e Melo, membro da Academia Marial de Aparecida, “O Estandarte da Vitória - A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e as necessidades de nossa época”, pg 28. 2. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.52 in Op. Cit. p. 28 3. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.456 in Op. Cit. p. 30 4. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.40 in Op. Cit. p. 31 5. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.41 in Op. Cit. p. 32
6. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.44 in Op. Cit. p. 33
7. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, p.25 in Op. Cit. p. 33
8. Sainte Margarite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, p.25 in Op. Cit. p. 33
9. Encíclica Haurietis Aquas, 49







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