segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A festa dos três arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael - Parte I

A festa dos três arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, que se poderia estender a todos os santos anjos, leva-nos a pedir-lhes que nos ajudem contra a perversidade e as insídias dos demônios que infestam a civilização neopagã atual

Em nosso mundo tão materializado, os homens não crêem mais senão naquilo que podem perceber pelos sentidos. Falar-lhes, pois, de Anjos, é quase o mesmo que discorrer sobre fadas ou contos infantis.

Entretanto, nunca a devoção aos santos Anjos foi tão necessária como atualmente, pois o que resta de civilização cristã praticamente agoniza, e os atos de satanismo, velados ou declarados, vêm ganhando direito de cidadania.

Uma impressionante onda de crimes horripilantes abala a sociedade atual: ataques terroristas, que espezinham o valor da vida humana; matança de inocentes pelas próprias mães, por meio da prática do aborto; prostituição infantil; pedofilia; imoralidade desbragada, que praticamente resultou na implantação do amor livre.

Pecados contra a natureza, que bradam aos Céus e clamam a Deus por vingança, vêm-se estabelecendo legalmente em vários países. Para não falar das modas, atingindo tal índice de imoralidade, que para o nudismo completo falta pouco.

Ora, tudo isso não se processa sem intensa ação direta ou indireta do espírito das trevas. Indireta (ou disfarçada), pois para ele convém mais agir como se não existisse, e não aparecer assim como o principal inspirador ou promotor de grande parte do mal que campeia na Terra.

Tais considerações, de suma gravidade, levam-nos a votar uma devoção crescente aos santos Anjos e a rogar-lhes instantemente seu auxílio e proteção.

É o que pretendemos com o presente artigo que, entretanto, tem como base as linhas gerais do ensinamento dos estudiosos católicos sobre o assunto, sem entrar nas legítimas disputas que existem a respeito de alguns pontos da angeologia.

A admirável natureza angélica

Nas Sagradas Escrituras, a presença dos Anjos é citada com freqüência.

Deus, tendo criado tão variegada ordem de seres corporais, quis também criar seres imateriais, espirituais, incorpóreos, invisíveis e incorruptíveis como são os Anjos. Por suas perfeições, eles representam mais plenamente a bondade e a onipotência do Senhor que os tirou do nada.

Segundo a opinião de vários Doutores da Igreja, os Anjos foram criados logo no início da criação do universo. São incorruptíveis e imortais, pois, como não têm corpo, não estão sujeitos à morte, frio ou calor, fome e sede, cansaço e enfermidade, nem às outras misérias a que está submetido o corpo humano. São dotados de uma mobilidade espantosa em sua ação, como não há símile na Terra, pois têm a mobilidade do pensamento.

Assim, para eles, basta pensar e desejar para estar em qualquer parte. Por outro lado, o seu entendimento não é discursivo; basta-lhes ver, para conhecer cada coisa em sua essência, de modo muito mais completo que o conhecimento humano.

Desde sua criação, têm um conhecimento perfeito e consumado de todas as coisas que se podem conhecer naturalmente. Ademais, sua vontade é constante e eficaz, querendo eles tão cabalmente o que desejam, que nunca se apartam do que escolheram. Por isso, do pecado dos anjos maus decorreram conseqüências infinitas, pois a escolha que fizeram foi de uma vez para todo o sempre.

Ministério de reger e conservar o mundo

O número dos anjos excede ao das coisas corporais e materiais. Pois Deus, em sua perfeição e em seu poder infinitos, criou seres tanto mais numerosos quanto mais perfeitos eram em si mesmos.

Quantos são esses ministros do Senhor, como os chama São Paulo? São João, no Apocalipse, diz: “E ouvi a voz de muitos anjos em volta do trono [...] e era o número deles milhares de milhares” (Apoc. 5, 11). O Profeta Daniel, falando também de seu número, diz: “Eram milhares de milhares [os anjos] que o serviam, e mil milhões os que assistiam diante d'Ele” (Dan. 7, 10).

Acrescenta o pseudo-Dionísio que o número dos anjos excede ao das coisas corporais e materiais. Pois Deus, em sua perfeição e em seu poder infinitos, criou seres tanto mais numerosos quanto mais perfeitos eram em si mesmos.

Os anjos são os principais ministros da Divina Providência para reger e conservar o mundo. São eles que presidem os movimentos do mundo sideral e, com sua concertada ação e influência, regem toda a vida, variedade, distinção e beleza que há nas criaturas corporais. Eles presidem os países, províncias, Estados e cidades, são os conservadores de todas as espécies visíveis, distribuidores dos dons e executores da vontade de Deus.

Cada homem, desde o primeiro até o último que for criado, teve, tem e terá, como nos ensina a Santa Madre Igreja, um anjo da guarda. A única exceção foi para Nosso Senhor Jesus Cristo em sua natureza humana. Pois, como também é Deus, não teve necessidade de anjo que O guardasse.

Tendo assim todos os homens um anjo custódio — não havendo nisso exceção para bons ou maus, fiéis ou infiéis — são eles milhões e milhões.

Maravilha ainda maior é que cada anjo difere do outro como único em sua espécie, como um infindável campo coalhado de numerosíssimas flores, em que não houvesse duas da mesma espécie. Assim é o universo angélico.

Pelo que sabemos dos anjos inferiores, sendo já tão grande sua perfeição e excelência, como serão os serafins? Como será São Miguel Arcanjo, Príncipe da Milícia celeste, que, segundo alguns autores, ocupa o lugar supremo na Hierarquia angélica?


Acompanhe a parte 2 amanhã no Boletim

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Fonte: Revista Catolicismo

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