sexta-feira, 17 de julho de 2009

Nossa Senhora de Chiquinquirá, Rainha e Padroeira da Colômbia - II

As convulsões ideológicas e políticas do século XIX

No início do ano 1796, resolveu-se edificar em Chiquinquirá um templo de maiores proporções. Era aquela uma época difícil, de lutas políticas e enfrentamentos ideológicos.

Os contendores reclamaram a proteção da Virgem. Em 1815 a imagem foi despojada de suas jóias para sustentar os gastos da independência. Um general colombiano — em temerária atitude, e apesar da oposição dos religiosos — subtraiu o venerável quadro, visando atrair o povo para sua causa.

Perseguido pelos realistas, fugiu e abandonou a pintura em Sáname. A tela foi conduzida em júbilo a Santa Fé de Bogotá e devolvida a seu santuário. Finalmente, em 11 de setembro de 1823, o novo templo foi consagrado por Mons. Rafael Lasso de la Vega, então bispo de Mérida (Venezuela) e senador da República, “único prelado que subsistia naquela época em Nova Granada”.

Mediante um decreto de 18 de julho de 1829, a Santa Sé proclamou a Virgem do Rosário de Chiquinquirá Padroeira da Colômbia.

Contudo, com a instauração da República, as dificuldades começaram. Ao relaxamento da disciplina eclesiástica somaram-se leis anticlericais, como a que ordenou a supressão dos conventos menores. Em 1835 o presidente Santander confirmou a dissolução e expropriação do convento. Os frades que perseveraram no culto a Nossa Senhora refugiaram-se num local contíguo ao templo.

Clérigos apóstatas e políticos inescrupulosos confabularam então para que a paróquia passasse para o domínio do clero diocesano. Em 1861, numa atitude de autoritarismo e ambição, o general Mosquera decretou o desterro dos frades e o confisco de seus bens.

Com a morte sucessiva dos religiosos, restou apenas Frei Buenaventura García Saavedra, que enfrentou as ameaças, estando disposto a sofrer o martírio. Através dele, aos pés da Virgem de Chiquinquirá, ocorreu em 1881 a restauração da Ordem Dominicana na Colômbia.

O enfrentamento entre conservadores e liberais tornou-se cada vez mais agudo, surgindo novo auge de violência: a Guerra dos Mil Dias (1899-1902). Após essa sangrenta guerra civil que tumultuou o país inteiro, voltou a almejada paz. E com ela subiu ao Trono de São Pedro uma súplica para que fosse coroada a Virgem de Chiquinquirá. O Papa reinante, São Pio X, atendeu ao ardente pedido em 9 de janeiro de 1910.

A pintura de Nossa Senhora de Chiquinquirá foi coroada solene e canonicamente no dia 9 de julho de 1919 na catedral de Bogotá, na presença do presidente da República, de autoridades eclesiásticas, civis e militares, bem como de multidão incalculável de fiéis. Em 1927, Pio XI concedeu ao santuário o título e os privilégios de Basílica Menor. Em 1977 a Sé Apostólica erigiu a cidade de Chiquinquirá como diocese. Em 1986 o Papa João Paulo II esteve na Colômbia, ocasião em que visitou o santuário como peregrino.

Irradiação do culto da Padroeira

Autoridades religiosas, civis e militares, rendem homenagem à padroeira da Colômbia no dia de sua festa, em Chiquinquirá

Como observa o Pe. Vargas Ugarte, o culto a Nossa Senhora de Chiquinquirá estendeu-se não somente na Colômbia, mas em toda a América Latina. Passaram-se, pois, mais de quatro séculos desde que se operou o prodígio da renovação.

Como observa José Manuel Groot em sua Historia de la Nueva Granada, um dos maiores milagres da Virgem de Chiquinquirá constitui a sua conservação, apesar do tecido tosco no qual se encontra estampada e de a pintura ter sido tocada por uma infinidade de objetos.

A devoção à Padroeira da Colômbia sofreu altos e baixos, devido às perseguições, às guerras e até aos terremotos. Mas o que lhe causou maior dano foi a indiferença, o abandono e a negligência de seus próprios fiéis.

Ao longo da história, muitas pessoas testemunharam resplendores e luminosidades, como as que em 1586 originaram a devoção a ela votada. Contudo, nenhum deles foi devidamente reconhecido e registrado. Outros viram-na empalidecer. São reflexos no miraculoso quadro, de momentos de fervor e de desânimo que viveu a nação irmã.

Obras consultadas:

1. P. Luis Francisco Téllez Garzón O.P., Una Luz en el camino, Santuario de la Virgen del Rosario, Chiquinquirá, Bogotá, 2005.

2. P. Rubén Vargas Ugarte S.J., Historia del Culto de María en Iberoamérica y de sus imágenes y santuarios más celebrados, Madrid, 1956.



Fonte: Catolicismo

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