sexta-feira, 8 de maio de 2009

Santa Teresinha, a desconhecida: Um "furacão de glória"- parte IV

Adentrando os muros do Carmelo

Certa manhã, no Carmelo de Lisieux, tendo conhecimento de que eu era brasileiro, um sacerdote francês disse-me ser público e notório que a devoção a Santa Teresinha no Brasil era especialmente notável.

Falamos, naturalmente, da "urna do Brasil", e eu lhe disse que possuía um livro narrando sua história (11). Seus olhos se arrregalaram, e exclamou: "Na completíssima bilblioteca do Carmelo falta esse livro.

Procuramo-lo desesperadamente e não há meios de se encontrar um exemplar em país algum!"

Uma semana depois, recebi carta de outro sacerdote -- este brasileiro, com funções na Cúria Romana -- impaciente por obter o precioso volume que narra a história da "urna do Brasil".

Após encontros em Roma e Lisieux, tudo terminou no parlatório do Carmelo, em julho último: doei à biblioteca do mesmo Carmelo de Lisieux o precioso opúsculo, que relata a história de mais esse elo existente entre os brasileiros e Santa Teresinha, mediante o qual nosso sentimento todo peculiar nos inclina a considerá-la, por assim dizer, um tanto brasileira.

As circunstâncias acima descritas permitiram-me realizar um anseio acalentado por mim há mais de 40 anos: adentrar os muros sagrados desse Carmelo bendito! (12)

Em junho de 1996, sem saber bem se sonhava ou se estava de olhos abertos, pude percorrer o mesmo solo que os santos pés da "maior Santa dos tempos modernos" pisaram.

Deitar meu olhar nas mesmas paredes em que seus olhos pousaram, recolher-me na enfermaria onde ela, transida de dor e de indescritíveis provações, exalou seu último suspiro; e, sobretudo, sentir minha alma embeber-se de uma atmosfera de indefinível paz, de indizível elevação e de inabalável confiança que banha o Carmelo de Lisieux.

De forma tal que se passarão anos até que eu consiga, para mim mesmo, exprimi-las e senti-las inteiramente. Alimento para uma eternidade.

Notas:

11. "A Urna do Brasil", Pe. Henrique Rubillon s.j., Rio de Janeiro, 1924

12. A entrada no recinto do Carmelo, de clausura papal, é estritamente vedada, sem autorização expressa do Bispo de Bayeux e Lisieux.


Fonte: Catolicismo por Caio Vidigal Xavier da Silveira
Correspondente,Paris

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