terça-feira, 7 de abril de 2009

Subiaco: no ponto de partida da Cristandade medieval está a gruta de São Bento

Onde e quando nasceu a Cristandade medieval? Quem foi o fundador?

A resposta é paradoxal. Foi numa gruta. E o fundador foi um ermitão isolado.

Um jovem nobre romano que fugiu da imoralidade e da decadência de Roma. Sim, da Roma que em poucos anos haveria de ser afogada no sangue e no fogo.

Foi o grande São Bento, o Patriarca de Ocidente, a grande alma que deu o ponto de partida da imensa ordem medieval, justa e sacral.

São Bento acabou fundando a Ordem Beneditina, que subsiste até hoje nos seus vários ramos e famílias espirituais. Em torno dos mosteiros beneditinos foram se aglutinando os restos do naufrágio do Império Romano e, também, bandos de bárbaros apenas aculturados.

As abadias beneditinas ensinaram a ordem àqueles cacos de agrupações humanas. E sob o bafejo da graça deram à luz a fascinante Ordem Medieval.

Mas como é o local onde tudo começou? A gruta erma onde São Bento sozinho iniciou sua epopéia espiritual?

O local existe. Chama-se Subiaco. Fica não longe de Roma. A gruta está preservada.

Na gruta de Belém, o Salvador veio ao mundo. Na Gruta de Subiaco, a Cristandade deu seus primeiros vagidos na alma do grande Bento de Núrsia.

A alma de São Bento foi como um incêndio de zelo pela causa de Deus. Carlos Magno e tantos outros heróis e santos medievais foram como que faíscas desse grande incêndio.

Vejamos como é Subiaco, e prescindindo um pouco das belíssimas construções, imaginemos o grande santo rezando sozinho, ouvindo o uivo das feras e comendo o pão que um corvo todo dia lhe trazia.

* * *
As fotos apresentam-nos uma visão atual do lugar da famosa gruta na qual viveu São Bento durante anos na solidão. Esse local tão bendito foi o ponto de partida da Civilização Cristã, enquanto esta floresceu na Europa Ocidental.

No século V, a Europa encontrava-se na seguinte situação mista: como os bárbaros tinham ocupado o Império Romano do Ocidente, restos de civilização coexistiam com bárbaros em grande quantidade, resultando disso um caos, o qual era preciso extinguir.

A Igreja trabalhava empenhadamente nesse sentido e agindo em função da graça. E a graça soprando por todos os lados, produzindo flores de cá, de lá e de acolá, algo estava por acontecer de imensamente grande e belo, como desfecho dessa semeadura parcialmente bem recebida por toda parte.

E o desfecho de tal conjunto de fatores consistiu no aparecimento de um jovem de família senatorial romana, família nobre do patriciado. Bento, suscitado para realizar uma obra especial, entregou-se totalmente a essa grandiosa vocação.

Mas, para realizar sua missão, ele não poderia permanecer naquele misto de barbárie e de cultura romana decadente em que se encontrava a Europa.

Retirou-se então à solidão. E para quê? Para santificar-se. Escolheu para isso um lugar completamente ermo, onde não houvesse nada que perturbasse sua entrega total a Nosso Senhor.

E ali entregou-se à devoção, à meditação, à penitência, a fim de que a graça se assenhoreasse cada vez mais de sua alma.

Podemos imaginá-lo ainda jovem, não pensando nos seus dotes, não pensando como seria comovedor considerar o isolamento desse moço com tantos antecedentes, naquela gruta ou naquele castelo de grutas, naquele silvestre palácio de grutas em que ele se embrenhou.

Cada gruta dava abertura para outra gruta, como num palácio um salão dá abertura para outro salão. Nesse ambiente ele jamais pensava em si, mas somente em seu Criador.

* * *

Subiaco é o nome dessa abençoada gruta. Imaginemos São Bento sozinho naquele local. Dizer que ele se encerrou na gruta, é muito bonito.

Entretanto, imaginemo-lo convivendo com essas ásperas pedras, ríspidas em todo o sentido da palavra, sem nenhuma beleza física.

Tudo é solidão. Mas evoca de algum modo o Céu. Figuremo-nos São Bento sentado naquele lugar ermo, lendo um livro e pensando.

Ele não sabia, mas, através das graças que recebia, a Cristandade européia estava nascendo.

Muito melhor que a Europa, a Cristandade européia estava nascendo!


Por Luis Dufaur
Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, Blog Glória da Idade Média

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