terça-feira, 19 de agosto de 2008

São João Eudes, precursor da devoção aos Sagrados Corações :: parte 1

Fundador de duas congregações religiosas e de seis seminários, foi grande pregador popular, realizando mais de cem missões. Deixou escritas inúmeras obras ascéticas e místicas.

*** Santo do dia 19 de agosto

São João Eudes nasceu na pequena cidade de Ry (diocese de Séez, na Baixa-Normandia, França), no dia 13 de novembro de 1601.

Seu pai, Isaac, havia tentado a carreira sacerdotal, mas fora obrigado a abandoná-la devido à morte de quase toda a família, vítima da peste.

Dedicou-se então à agricultura, exercendo também as funções de médico rural. Rezava diariamente o breviário e rivalizava em virtude com a esposa, Marta.

O primogênito dos sete filhos que tiveram, João Eudes, foi mais “fruto da oração que da natureza”.

Por isso o ofereceram a Nossa Senhora do Socorro, em ação de graças por seu nascimento, e nada negligenciaram em sua educação religiosa e temporal.

O menino correspondeu ao desvelo dos pais, e aos 14 anos fez o voto de perpétua virgindade.

Nessa época, foi enviado ao colégio dos padres jesuítas de Caen, onde estudou com brilho humanidades, retórica e filosofia.

Desde muito pequeno, por inspiração do Divino Espírito Santo, João Eudes tinha profunda devoção aos Corações de Jesus e Maria.

Em 1618 entrou para a Congregação Mariana do colégio, para incrementar ainda mais sua devoção a Nossa Senhora. Recebeu então da Mãe de Deus inúmeras graças.

Em 1623, desejando tornar-se sacerdote, entrou para a Sociedade do Oratório de Jesus, fundada pouco antes pelo famoso Cardeal de Bérulle (foto).

O fundador concebeu por João Eudes uma estima tal, que o fazia pregar em público antes mesmo de sua ordenação sacerdotal.

Esta se deu em 1625. Apenas ordenado, foi cuidar de empestados. Passou depois para o Oratório de Caen, tendo em vista preparar-se para sua carreira missionária.

Recolhimento forçado por dois anos

Desde os 22 anos de idade, trabalhou incansavelmente no campo das missões populares. Pregador nato, tornou-se famoso como missionário. Dizia-se que, desde São Vicente Ferrer, a França não tivera um maior do que ele.

Maravilhosamente bem dotado para a eloqüência popular, entusiasmava as multidões e lograva copiosíssimos frutos de penitência. Impugnava com vigor todos os vícios, cortava na raiz os escândalos, e a todos pregava a verdade salvadora.

A ardente caridade que manifestava no confessionário atraía os penitentes, porque ele, ao fulminar os vícios, sabia apiedar-se do pecador.

No ano de 1641, São João Eudes cumpria 40 anos de idade. Foi então atacado subitamente por grave enfermidade, que o levou a um repouso forçado, absoluto, durante dois anos.

A Providência Divina queria que ele se preparasse no recolhimento para nova fase de sua vida, talvez a mais proveitosa:

Deus me deu estes dois anos para empregá-los no retiro, para vagar na oração, na leitura de livros de piedade e em outros exercícios espirituais, a fim de preparar-me melhor para as missões”.

Ao recuperar a saúde, lançou-se novamente à vida missionária com novo fruto. Entretanto, afligia-se ao ver os resultados pouco duradouros das missões.

Atribuía isso à falta de pastores cultos e piedosos que continuassem a ação dos missionários, mantendo aceso o fervor adquirido durante as missões.

Para isso faltavam seminários nos quais os seminaristas recebessem, a par das virtudes próprias de seu sagrado estado, preparação para exercer os ofícios de seu ministério com relação às missões.

Se não havia seminários, por que não fundá-los? Muitos o aconselhavam nesse sentido. Mas, devido às oposições, ele titubeava diante de tamanha responsabilidade.

Por outro lado, nas missões ele havia convertido bom número de mulheres perdidas. Tocadas pela graça, elas queriam expiar, numa existência consagrada, sua má vida.

O missionário reuniu-as numa casa que alugara. Mas era difícil dirigi-las sem estarem ligadas por votos religiosos. O que fazer?

O encontro com Maria des Vallées

Foi então que, em meados de 1643, quando pregava na cidade de Coutances, recebeu um dos maiores favores de sua vida, como ele mesmo declara, ao encontrar-se com Maria des Vallées, uma virgem favorecida por fama de santidade.

Filha de pobres agricultores, atraía os olhares de todos quando tratavam com ela das coisas da religião.

Inteligente, bela, recusou diversas propostas de casamento, pois escolhera a Jesus Cristo por seu único Esposo. Ela havia se oferecido como vítima expiatória pelos pecados do mundo.

Um de seus pretendentes recorreu à bruxaria para fazê-la mudar de idéia, e lançou sobre a jovem um malefício obtido de uma bruxa, que pouco depois morreria na fogueira.

Imediatamente Maria des Vallées foi possuída pelo demônio. O príncipe das trevas teve assim poder sobre seu corpo, mas não podia penetrar em sua vontade. Frades e bispos a exorcizaram sem sucesso.

Maria des Vallées aceitou com docilidade o fato, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus. Assim, mesmo em meio às piores crises provocadas pelo pai da mentira, ela não perdia sua admirável calma e fé invencível.

Nos momentos em que o demônio a deixava, ela rezava, trabalhava e fazia penitência pela conversão dos pecadores.

Apesar das crises e das tentações, ela passou por quase todos os fenômenos da vida mística, inclusive o da troca de vontades com o supremo Senhor do Céu e da Terra.

Durante dois anos sofreu em espírito os suplícios do inferno, e durante doze participou dos tormentos de Cristo.

(Por Plinio Maria Solimeo, extraído de Catolicismo)

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