terça-feira, 5 de agosto de 2008

Santa Catarina de Bolonha: Sorriso de desdém para as coisas desta vida

Tive a oportunidade de ver algo singular e raro: uma santa canonizada em carne e osso. E isso, sem que houvesse qualquer aparição ou fenômeno místico. Ela estava sentada num troneto sobre um altar. Era Santa Catarina de Bolonha.

Ela morreu há mais de 5 séculos, entretanto seu cadáver conserva-se absolutamente intacto até hoje numa igreja em Bolonha, na Itália.

Durante a II Guerra Mundial, por causa do perigo de bombardeios, o corpo da santa foi transportado para um porão da igreja; e ali, devido à umidade, a cor dele mudou, adquiriu tonalidade verde-azeitona. Entretanto, a carnatura está perfeita.

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A fisionomia da santa é distendida. Apesar de estar com olhos fechados, a fisionomia tem muita expressão. O mais expressivo manifesta-se nos lábios: longos, finos e cerrados, externando um meio sorriso que é, ao mesmo tempo, de afabilidade e acolhida.

Um sorriso de quem, com muita suavidade, mas muito de cima e com enorme transcendência, sorri com desdém para as coisas desta vida. Como quem diz: Olhe, tudo isso não é nada, tudo passa, não tem importância.

As coisas terrenas passam, só a eternidade fica. Eu passei por tudo, sofri todas as dores, tive todas as provações. Agora sorrio para tudo isso.

Porque aquilo que foram mares encapelados, precipícios temíveis, montanhas inescaláveis, tudo isso ficou para trás. Percebo hoje que tudo que passou foi nada. A vida não é nada, só a eternidade é séria.

Nela se vê ao mesmo tempo a bondade, mas também lucidez, ordem, estabilidade e decisão extraordinária. Eis a santa que vi em carne e osso!

Hoje se fala tanto de experiência, e esta foi para mim uma experiência raríssima. Só não compreendo por que tantas pessoas não se dispõem a ver esta santa em Bolonha.

Por Plinio Corrêa de Oliveira, em Catolicismo

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