sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Os filhos de São Bento

Os resultados da obra de São Bento foram imensos. Tanto em vida como depois de sua morte, multidões de filhos das mais nobres raças da Itália e a elite dos bárbaros convertidos acorrem a Monte Cassino.

Depois eles daí saem, e descem para se espalhar por todo o Ocidente: missionários e trabalhadores, que virão logo a ser os doutores e os pontífices, os artistas e os fundadores de instituições, os historiadores e os poetas da nova sociedade.

Eles vão propagar a paz e a Fé, a luz e a vida, a liberdade e a caridade, a ciência e a arte, a palavra de Deus e o gênio do homem, as Santas Escrituras e as obras de arte, no meio das províncias desesperadas do império destruído, e até o fundo daquelas regiões selvagens que, a grande custo, se conseguiram salvar da destruição dos bárbaros.

Menos de um século depois da morte de São Bento, tudo o que a barbárie havia conquistado sobre a civilização é reconquistado. Além disso, esses filhos de São Bento se apressam a ir pregar o Evangelho até em rincões nos quais os primeiros discípulos de Cristo não puderam chegar.

Vinde agora, ó bárbaros! A Igreja nada tem a vos temer. Reinai onde quiserdes, a civilização não fugirá de vós. Antes, sois vós que defendereis a Igreja e refareis a civilização.

Vós vencestes tudo, conquistastes tudo, revirastes tudo. Sereis por vossa vez vencidos, conquistados e transformados. Já nasceram os homens que serão vossos mestres.

Eles tomarão vossos filhos, e até filhos de reis, para os juntar a seu exército. Tomarão vossas filhas, vossas rainhas, vossas princesas, para as prender em seus monastérios.

A obra não será curta nem fácil. Mas eles chegarão à meta. Eles dominarão os povos novos, mostrando-lhes o ideal da santidade, da grandeza, da força moral.

Eles os farão instrumentos do bem e da verdade. Ajudados por esses vencedores de Roma (os bárbaros), eles levarão o império e as leis de uma nova Roma muito além das fronteiras que o senado fixou ou que os Césares imaginaram.

Eles irão vencer e benzer, lá onde não penetraram nem as águias romanas nem mesmo os apóstolos. Eles serão os benfeitores de todas as nações modernas.

Serão vistos, ao lado dos tronos de Carlos Magno, de Alfredo, de Othon o grande, criarem com eles a realeza cristã e uma sociedade nova.

Enfim, eles subirão com São Gregório Magno e São Gregório VII até a Sé Apostólica, de onde presidirão, durante séculos de luta e de virtude, os destinos da Europa Católica e da Igreja.

Fonte: Montalembert, “Les moines d’Occident” - 1878, t. II, p. 74

(Extraído de Glória da Idade Média)

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