terça-feira, 15 de julho de 2008

Sinos de santuário serão restaurados

Os 12 sinos da igreja localizada no Centro de Fortaleza têm 48 anos e formam, segundo o reitor do santuário, o maior carrilhão do Ceará.

Para se chegar à torre onde ficam os sinos do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, é necessário subir oito lances de escadas, que se alongam por 45 metros.

O montador de sinos Dinásio Pereira da Silva e seu ajudante Raimundo Nonato Ferreira sobem e descem, pelo menos, dez vezes por dia. Esse esforço todo ocorre em função da reforma do carrilhão de sinos, que já tem 48 anos e sofre com os efeitos da maresia.

De tempos para cá, segundo o reitor do santuário, frei Raimundo Matos, os sinos foram parando de tocar aos poucos - havia sete funcionando, depois quatro - e somente eram ouvidos três vezes por ano:

no segundo Domingo de Páscoa, na Festa da Misericórdia; no Dia do Perdão, 2 de agosto, e na festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro. Alguns sinos receberão novo suporte para os badalos, pois os antigos foram corroídos pela ferrugem.

Após a reforma, o carrilhão deve tocar três vezes por dia, nos horários das missas, através de um programador que faz os badalos soarem automaticamente. O serviço é feito por uma empresa mineira especializada.

Os sinos, segundo o frade, são fruto de doações feitas pela sociedade de Fortaleza na década de 1960 e foram feitos em São Paulo pela antiga fundição Crespi. No bronze, é possível ler nomes de pessoas da época, como o de Parsival Barroso, que governou o Ceará entre 1959 e 1963. Segundo frei Raimundo, os sinos da igreja formam o maior carrilhão do Estado.

Som

Raimundo Nonato, além de ajudante, é fiel freqüentador do Santuário do Sagrado Coração de Jesus. Ele diz não lembrar da última vez em que ouviu os sinos tocarem, mas rememora os sons.

"Faz uma zoada bonita", diz o senhor de 57 anos. A dona-de-casa Guilhermina Marques, 56, assiste às missas do santuário há cerca de 30 anos. "Era menina ainda quando comecei a vir." Ela também gosta do som dos sinos e confessa que sente falta.

Somados, os 12 sinos pesam, em média, três toneladas. O maior deles pesa 800 quilos. Todo o serviço de restauro, que inclui a recuperação das peças e da estrutura que os sustenta, vai custar R$ 78 mil. Para angariar recursos para a obra, conforme frei Raimundo, a igreja está buscando doações.

"Queremos manter um patrimônio que foi doado pelo povo". Além disso, a reforma resgata uma tradição. "Quando os sinos tocam, parece que você está numa parte do céu. Se somente sete tocando já era lindo, imagina os 12!", diz o frade.

Fonte: Jornal O Povo, de Fortaleza

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