quarta-feira, 25 de junho de 2008

O gótico: estilo de bárbaros ou de homens muito superiores à mediocridade moderna?

Custa-nos crer, em nossos dias, que nos séculos XVII e XVIII, e mais tarde ainda, o termo gótico era equivalente a 'bárbaro'.

Seriamos mais bem levados a nos maravilhar com tudo o que se construiu nos tempos 'Bárbaros', com meios que nos parecem tão débeis em comparação com os nossos.

Os especialistas calcularam que a França dos séculos XII e XIII transportou mais pedras que o Egito, quando este elevava as Pirâmides.

Eles reconheceram que os fundamentos de nossas catedrais descem até a profundidade média de nossas estações de Metrô.

Pasmaram ao ver que em Amiens, a catedral é bastante ampla para acolher toda a população da cidade. Atualmente, os maiores estádios construídos em cidades como Nova York ou Paris não podem conter senão uma muito pequena parte de sua população.


O esforço feito pelos habitantes de Amiens no XIII século para erigir sua catedral era, portanto, proporcionalmente muito superior àquele que se pode fazer hoje no interesse de uma grande cidade.

Certos técnicos entregaram-se a cálculos mais complicados.

Se nos situarmos no ponto de vista dos arquitetos, compreenderemos que numa construção tudo aquilo que é cheio - as paredes, o teto, etc. - custa caro, pois as partes cheias são feitas de materiais caros para transportar, caros para edificar, caros para trabalhar.

A arquitetura mais hábil é, portanto, aquela que encerra o máximo de espaço vazio dentro do mínimo de partes cheias - desde que tenham igual solidez, naturalmente.

Ora, em Notre-Dame de Paris, as partes cheias não ocupam mais que um sétimo do volume total da catedral, incluindo tudo: abóbadas, paredes, pilares, colunas, etc.

Em São Pedro de Roma, obra-prima arquitetural da Renascença, na qual trabalharam os artistas mais famosos como Bramante, Rafael e Michelangelo, as partes cheias ocupam um quarto do espaço total. É inútil dizer que Notre-Dame alia o máximo de leveza ao máximo de solidez.

E é assim que à medida que a conhecemos melhor a Idade Média se nos apresenta mais e mais como uma muito grande época, inclusive do ponto de vista técnico: uma época cheia de surpresas e de uma incomparável beleza.

Muito foi preciso para que estas belezas da Idade Média fossem completamente reconhecidas e investigadas.

O interesse das gerações que nos precederam dirigia-se sobretudo para o passado da Antiguidade: Grécia, Roma, Egito. A tal ponto que se esquecia literalmente nosso passado.

Basta ver nossos programas escolares que permanecem como se não tivesse acontecido nada de interessante durante os mil anos daquilo que se chama 'Idade Média'; nestes mil anos considera-se suficiente uma olhada rápida no curso secundário.

E, contudo, sabem que só os vestígios dos séculos XII e XIII são mais numerosos no nosso solo que os de todos os outros séculos juntos?



Fonte: Regine Pernoud, “Beauté du Moyen Age”, PP. 7-9 Gautier-Languereau, 1971.

(Extraído do blog Catedrais Medievais)
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