sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os Mártires do Sagrado Coração

Durante a Revolução Francesa, entre os mártires do Sagrado Coração cumpre lembrar o confessor do Rei, o sacerdote eudista Padre Hébert, martirizado no dia 2 de setembro de 1792, no chamado Massacre do Convento do Carmo, em Paris.

Muitos dos sacerdotes ali martirizados tinham consigo a Imagem do Sagrado Coração (Os 191 Mártires de Setembro foram beatificados por Pio XI em 1926).

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As Freiras carmelitas mártires de Compiégne foram condenadas à morte e executadas em 17 de julho de 1794, por haverem distribuído a imagem do Coração de Jesus, "símbolo da Vendéia", e também por haverem cantado um hino em louvor do Coração de Jesus. (São Pio X as beatificou em 1906.)
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Uma das vítimas do ódio revolucionário merece especial menção: a Venerável Maria Vitória Conen de Saint-Luc, que deixou atrás de si um perfume discreto de desinteresse, fervor, pureza e elevação de atitude.

Seu pai, o senhor Conen de Saint-Luc, era conselheiro do parlamento da Bretanha e irmão do Bispo de Quimper, Monsenhor de Saint-Luc, adversário fogoso dos jansenistas e grande devoto do Sagrado Coração. Maria Vitória, junto dele e de suas mestras, as visitandinas de Rennes, aprendeu a amar o Coração de Jesus.

Levava vida religiosa nas Dames de la Retraite. Quando a Revolução as dispersou, ela foi viver com as Damas do Calvário. Ali continuou a bordar as insígnias do Sagrado Coração e a distribuí-las entre os conhecidos.

Nos últimos dias de junho de 1792, Maria Vitória viu-se obrigada a voltar para a casa dos pais, o Castelo de Bot. Lá continuou seu apostolado. Uma das pessoas a quem ela havia enviado insígnias era um amigo das Damas do Calvário, o médico Laroque-Trémaria. Esse senhor mandou algumas delas a um irmão seu, que comandava um navio.

As Insígnias enviadas pelo Dr. Laroque-Trémaria foram porém interceptadas pela polícia revolucionária. Quem lhe havia dado as imagens do Sagrado Coração? Respondeu o doutor: "A encantadora Maria Vitória".

Como resultado, o médico e seu irmão foram guilhotinados.

Maria Vitória e seus pais foram igualmente presos em fins de 1793. Ela resistiu com grande força de alma aos rigores da prisão, animosa por estar presa pelo amor de Jesus Cristo.

A jovem e seus pais foram transferidos à sinistra prisão da Conciergerie, em Paris, no dia 25 de abril de 1794.

Em 18 de julho, o sanguinário promotor revolucionário os acusou de manterem contactos contra-revolucionários, de terem ajudado a revolta dos "bandidos da Vendéia" e de haverem distribuído as insígnias dos revoltados. As três acusações foram aceitas. Era a morte.

No dia seguinte, na Praça da Barreira do Trono – o mesmo local onde dois dias antes haviam sido guilhotinadas as dezesseis freiras carmelitas de Compiègne – chegou a carroça com os três condenados.

Maria Vitória, de conduta fidalga até a morte, pediu licença ao carrasco para ser decapitada em primeiro lugar. Não queria que os pais receiassem que vacilasse no último instante, ou que algo acontecesse com ela após a morte deles.

Abraçou-os, ajoelhou-se diante deles e lhes pediu a benção.

Dirigiu-lhes então estas belas palavras:
"Querido papai e querida mamãe, de vós aprendi como se deve viver; com a graça de Deus, gostaria de lhes ensinar como se deve morrer".

Subiu com firmeza os degraus do cadafalso, e a lâmina decepou o pescoço puro daquele cisne inocente e virginal.

Um dia talvez poderemos honrá-la com o título de Santa Maria Vitória de Saint-Luc, mártir da Fé.

Depois do martírio de Maria Vitória, as Dames de la Retraite passaram a se chamar Religiosas de la Retraite du Sacré-Couer (Religiosas do Reino do Sagrado Coração).



(Extraído do livro "O Estandarte da Vitória", de Péricles Capanema Ferreira e Mello - http://www.livrariapetrus.com.br/)
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Saiba como receber em sua casa uma foto com a imagem do Sagrado Coração de Jesus.

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