terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Como devemos Rezar

A oração é não só um meio essencial para nossa salvação, mas também para obtermos aqui na Terra os bens espirituais e materiais necessários para cumprirmos bem nossos deveres de católicos

Por que muitas vezes nossas orações freqüentemente não são atendidas? Muitas vezes, é porque não as fazemos corretamente. Não nos preparamos para elas, não lhes damos a importância que merecem.

Quando queremos insistentemente algo, agimos como se déssemos a Deus um cheque; e queremos logo o retorno, que na maioria das vezes não vem. Daí nosso desânimo e tristeza.

Para auxiliar nossos leitores a melhorar a qualidade das suas orações, fazendo-as bem, transcrevemos a seguir o método que, de acordo com um seu fiel discípulo,(*) ensina o grande fundador da Companhia de Jesus, Santo Inácio de Loyola.

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“Uma vez que é necessário rezar todos os dias, tenhamos antes uma idéia justa da prece. A explicação se encontra em três palavras dos Exercícios Espirituais. Santo Inácio pede três coisas para a prece:

1º) Uma condição: É a elevação da alma para Deus. Quando nossa boca murmura palavras sobre as quais não pensa, não há prece: a divagação não é a prece.

Também, antes de se pôr a rezar, é necessário observar algumas preliminares; é necessário recolher-se exteriormente, e sobretudo interiormente; e é porque não se o faz que a prece se torna freqüentemente impossível. [...]

Devemos dirigir-nos ao Pai Celeste sem dúvidas, com toda simplicidade, com um grande abandono, mas sempre com o respeito que deve nos inspirar o espírito de fé. Recolhamo-nos antes de entrar na audiência com Deus.

2º) Uma forma: Santo Inácio chama a prece um colóquio, e essa palavra explica tudo. A prece não é, pois, um solilóquio, mas um colóquio, onde se é sempre dois, onde há sempre um face a face com Deus.

Nossas preces não se chocam contra uma parede, não são atiradas ao ar: elas vão direto ao coração de Deus. Há Deus, a quem rezamos, e nós, que rezamos. É o que faz o encanto da prece, e porque nos olvidamos disso a prece nos parece insípida.

3º) Um objeto: Quanto ao objeto, eis como Santo Inácio se exprime: ‘É necessário pedir a Deus o que queremos’. Esse é todo o segredo da prece, é a chave com a qual abrimos o tabernáculo por excelência, o coração de Deus.

Pedir o que queremos, esperar o que pedimos, servirmo-nos do que recebemos; o Cristianismo está inteiro nessas palavras. Mas é necessário querer o que se pede; e é necessário ter esperança, até a certeza; então, recebe-se infalivelmente, e nada mais há além de servir-se do que se recebeu.

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Tornemos isso mais compreensível por uma comparação: uma criança tem fome; ela pede à mãe que lhe dê pão; como ela sofre, como sente a necessidade daquilo que pede, ela quer o que pede. Sua boa mãe a atende e lhe dá o pão. É tudo?

Evidentemente não. Se a criança, em vez de se alimentar com aquilo que lhe é dado, não o faz e joga fora, morrerá de fome, malgrado a bondade da mãe. Assim também conosco. É em vão que Deus nos concede as graças que lhe pedimos, se delas não nos servimos”.

Nota: * Pe. J.F. Kieckens, S.J., Le Raphaël des âmes Chrétiennes, Bruxelles, Maison Van de Vivere, 1894, pp. 45 e ss. (Extraído da Revista Catolicismo)
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Um comentário:

gilberto disse...

Santo Inacio nos da a exata direção da oração, principlamente em seus exercicios espirituais, exelente artigo, Paz e bem a todos