domingo, 10 de fevereiro de 2008

Abadia de Cluny: “alma da Idade Média”

A abadia de Cluny, na Borgonha, França, hoje está em ruínas. Mas ruínas que transmitem uma sublime mensagem. Pois essa abadia foi “a alma da Idade Média”.

Foi fundada em 910 pelo Bem aventurado Bernon em terras doadas pelo Duque da Aquitânia, Guilherme o Piedoso. Nela se sucederam quatro grandes Abades santos — Santo Odon, São Maïeul, Santo Odilon e São Hugo — durante dois longos séculos.

Cluny liderou a vida religiosa medieval com glória e majestade. “Cluny é verdadeiramente uma nova Roma”, escreveu o historiador Delaruelle ("Histoire du Catholicisme en France", vol. I, p. 251). A Basílica de São Pedro em Roma foi construída com alguns metros a mais da de Cluny para poder ser a maior da Cristandade.

“Não sei — diz D. Charles Poult — que entusiasmo, que voga, que moda salutar atrai todo mundo, Papas, príncipes e monges, a Cluny, como ao porto mais seguro. O estrangeiro se contagia: a Espanha e a Inglaterra. Cluny torna-se o guardião oficial da regularidade monástica. Um mosteiro decai na observância, o Papa o entrega ao zelo cluniacense. Hugo parece ser verdadeiramente o Abade dos abades, e, com exceção do Papa, ninguém é comparável a ele na Cristandade” ("Histoire de l’Église de France", t. I, p. 124).

Queremos estudar os primórdios do Sacro Império Romano Alemão? Lá encontra-mos os cluniacenses dirigindo a Imperatriz Adelaide e ajudando com seus conselhos espirituais e políticos os três primeiros Otons, Conrado e Santo Henrique II a trabalharem pela restauração do Império de Carlos Magno.

A reconquista espanhola? De novo os cluniacenses aparecem colaborando na luta contra os muçulmanos.

É o Papado? Os cluniacenses lá estão para retirá lo do opróbrio em que caíra nos séculos IX e X, e, cerrando fileiras em torno de um de seus monges, São Gregório VII, colaboram com ele na luta gigantesca contra o Imperador Henrique IV para afirmar a primazia do espiritual sobre o temporal.

São as canções de gesta? Cluny, com todo o seu prestígio, compõe, incentiva e propaga essas epopéias da Cristandade.

É o feudalismo? Não terá sido Cluny o criador do feudalismo católico?

É a Cristandade, em todo o seu esplendor, que nos seduz? Como negar que esse incomparável mosteiro a modelou com a perfeição com que hoje a conhecemos pela História?

Anouar Hakem defende que Cluny “preparou as guerras santas, mais ou menos como os enciclopedistas prepararam a Revolução Francesa por um trabalho de educação dos espíritos”.

Delaruelle diz que se pode sustentar que “Cluny contribuiu poderosamente para a formação do herói das cruzadas. Os escritores cluniacenses celebravam as virtudes do cavaleiro que põe sua espada ao serviço da Igreja”.

(Fonte: Prof. Fernando Furquim de Almeida, “Catolicismo”)

A Revolução Francesa não podia tolerar a presença de Cluny, "símbolo odioso" da "barbárie" medieval. Napoleão mandou demolí-la sob pretexto de fazer passar uma estrada no local.

Barbáries de liberdade, da igualdade e da fraternidade revolucionárias!

(Texto extraído de Idade Média)
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