domingo, 28 de junho de 2009

Apostolado e amor à Cruz


O apóstolo que diz ou protesta querer salvar as almas, e se cerca de comodidade e foge à mortificação e abnegação, assemelha-se ao açougueiro que não quer manchar-se de sangue, ou ao coveiro que teme tocar nos mortos. É claro que errou o ofício.

S. Pedro Claver, apóstolo dos pobres negros, aos que o aconselhavam a resguardar-se e poupar-se nas fadigas, dizia: "Não é apto para o mister de pescador quem tem medo de molhar os pés".

O Ven. Chevrier, comentando a passagem evangélica "se o grão de trigo caído em terra não morre, fica só", dizia: "O apóstolo, como o grão de trigo, deve ser atirado ao chão e soterrado, para apodrecer. Deve ser retalhado, peneirado, moído, amassado e cozido, para ser comido. Só nessas condiçöes torna-se útil às almas".

A Beata Canossa dizia muitas vezes às suas irmãs: "Devemos ser para as almas como o limão que se deixa espremer, até que não sobre mais nele uma só gota de suco".

O Pe. Olivaint, S.J., que morreu mártir, exprimia o mesmo pensamento desta forma: "Senhor, esta manhã, junto ao altar, era eu o sacerdote e Tu a vítima; agora Tu és o sacerdote, e eu a vítima".

S. Carlos Borromeu, aos que o aconselhavam a omitir as penitências e reduzir as austeridades, respondia: "O apóstolo é comparado pelo Divino Redentor à lâmpada. E não pode ajudar as almas, a não ser consumindo-se a si mesmo".

(Pe. Mário Corti, S.J., "Viver em graça" - Paulinas, 1957, pp. 265, 266)

(Matéria original de
Cultura Católica)

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